Urgente: Moraes recua e barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Urgente: Moraes recua e barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro

Decisão ocorre após Itamaraty alertar ao STF que encontro poderia representar “indevida ingerência” em ano eleitoral

Beattie ocupa atualmente um cargo estratégico no Departamento de Estado dos Estados Unidos. Foto: Reprodução/ U.S Department of State.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, decidiu nesta quinta-feira (12), recuar em decisão anterior e negou a visita do assessor do governo americano Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em unidade prisional no Distrito Federal.

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A autorização havia sido concedida inicialmente após pedido da defesa do ex-presidente, mas foi revista depois de manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em documento enviado ao STF, o Itamaraty afirmou que o encontro poderia representar interferência externa em assuntos internos do país.

No despacho que revogou a autorização, Moraes destacou que a visita não estava prevista na agenda diplomática que justificou a concessão do visto ao assessor norte-americano.

Segundo o ministro, “a realização da visita de Darren Beattie […] não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada previamente às autoridades diplomáticas brasileiras”.

A manifestação encaminhada ao Supremo foi assinada pelo chanceler Mauro Vieira. No documento, o Itamaraty ressaltou que o visto concedido ao assessor do governo de Donald Trump foi solicitado para participação em eventos e reuniões institucionais, sem referência a encontro com Bolsonaro.

O ministério também alertou para possíveis implicações diplomáticas do encontro. No texto reproduzido na decisão do STF, o governo brasileiro afirmou que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

A solicitação de visita havia sido apresentada pelos advogados de Bolsonaro no início da semana. A defesa argumentou que Beattie permaneceria poucos dias no Brasil e teria disponibilidade para ir ao presídio apenas em datas específicas de março.

Antes de revogar a autorização, Moraes chegou a permitir a visita em data diferente da pedida inicialmente. Os advogados do ex-presidente recorreram da decisão, alegando conflito com a agenda do assessor americano, que participaria de um evento sobre minerais críticos e terras raras em São Paulo.

Após receber as informações do Itamaraty, o ministro reconsiderou a autorização e decidiu impedir o encontro.

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