Governador Cláudio Castro fala em 58 mortos, enquanto lideranças locais estimam mais de 100 corpos
Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmam ter encontrado mais de 70 corpos em uma área de mata nesta quarta-feira (29), um dia após a operação policial mais letal da história do estado, que segundo o governo fluminense deixou 64 mortos. Os corpos foram levados inicialmente à Praça São Lucas e, em seguida, encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) pela Defesa Civil.
Lideranças comunitárias da região informaram que ao menos 72 corpos já foram recolhidos, com possibilidade de o número ultrapassar 100 vítimas. As mortes ocorreram principalmente na Serra da Misericórdia, área conhecida como Vacaria, onde houve os confrontos mais intensos entre forças de segurança e integrantes do Comando Vermelho (CV).
O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou que os corpos localizados por moradores ainda não foram incluídos no balanço oficial.
Em entrevista coletiva, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) disse que o número oficial de mortos será atualizado apenas após a identificação dos corpos no IML. Ele revisou o total divulgado na véspera, reduzindo de 64 para 58 vítimas.
Segundo o governo do Rio, dos 64 mortos inicialmente contabilizados, 60 eram criminosos e quatro policiais — dois da Polícia Civil e dois do Bope. Os agentes foram promovidos postumamente.
A Operação Contenção, conduzida exclusivamente pelas forças estaduais, foi planejada por dois meses após um ano de investigações. O objetivo era cumprir 100 mandados de prisão contra chefes do Comando Vermelho do Rio e do Pará. A polícia afirma ter cumprido 81 mandados.

Durante a ação, criminosos reagiram com fuzis e granadas lançadas por drones, o que levou ao bloqueio da Avenida Brasil e das Linhas Amarela e Vermelha, além da suspensão de aulas, fechamento de comércios e paralisação de hospitais.
Imagens de drones da Polícia Civil mostraram suspeitos fugindo por trilhas na mata da Vila Cruzeiro, em cenas que lembram a ocupação do Complexo do Alemão, em 2010.
O governador Castro afirmou que o estado “agiu sozinho” no combate ao Comando Vermelho e que teve pedidos de apoio negados pelo governo federal. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu, dizendo que “todas as solicitações foram atendidas”.
Os dois devem se reunir ainda nesta quarta-feira (29) para discutir a operação e as próximas ações de segurança no estado.
