Brasil assume presidência do bloco sob tensão com a gestão Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a confrontar os rumos do Mercosul nesta quinta-feira (3), durante a 66ª Cúpula do bloco em Buenos Aires. Ao transferir a presidência rotativa do grupo ao Brasil, o líder argentino afirmou que a Argentina “escolheu o caminho da liberdade” e ainda avisou: “Faremos isso acompanhados ou sozinhos”.
A declaração soou como uma possível ameaça de rompimento com o bloco sul-americano, que Milei já classificou anteriormente como uma estrutura obsoleta.
“Cabe aos nossos parceiros do Mercosul decidir se seguirão o caminho que escolhemos”, afirmou.
Milei iniciou seu discurso com críticas ao que chamou de medidas protecionistas herdadas de gestões anteriores, acusando o bloco de ter erguido “uma cortina de ferro” que isolou a região. Segundo ele, essas barreiras burocráticas e comerciais afastaram o Mercosul da competição internacional e resultaram em “bens e serviços piores e a preços mais altos”.
De acordo com Milei, o Mercosul “se tornou cada vez menos um mercado comum” e perdeu sua razão de ser como instrumento de integração econômica. O argentino classificou como prioridade a reversão dessa realidade, apontando para uma ruptura com o modelo tradicional defendido por governos anteriores.
“Nós buscamos por um fim ao que consideramos uma inércia destrutiva”, disse.
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