Metanol em bebidas: 7 mortes sob apuração em SP e PE
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Metanol em bebidas: bares interditados e 7 mortes sob apuração em SP e PE

Câmara vota urgência de projeto que torna crime hediondo falsificação de bebidas em meio a mortes por consumo de metanol
Câmara vota urgência de projeto que torna crime hediondo falsificação de bebidas em meio a mortes por consumo de metanol

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Por Marília Rodrigues

Casos de intoxicação avançam em dois estados; operações apreendem centenas de garrafas e PF investiga origem do produto clandestino

Autoridades de saúde e segurança intensificaram a investigação sobre bebidas adulteradas com metanol após o registro de novos óbitos em Pernambuco. O governo de São Paulo confirmou 22 casos de intoxicação (7 confirmados e 15 em apuração), com cinco mortes relacionadas — um óbito confirmado na capital e quatro sob investigação. Em Pernambuco, dois homens morreram nesta semana, nas cidades de Paulista e Jaboatão dos Guararapes, com suspeita de intoxicação após consumir destilados.

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Segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco, os sintomas relatados — como tontura, náusea e perda de visão — são compatíveis com envenenamento por metanol. Os casos estão sob apuração laboratorial. Ao todo, o país soma sete mortes em investigação.

Em São Paulo, a Vigilância Sanitária interditou o Bar Ministrão, nos Jardins, depois de identificar a compra de bebidas de um “vendedor de rua” sem nota fiscal. O dono foi levado à delegacia e nega a venda de produtos falsificados, embora admita ter adquirido “bebidas quentes” fora de distribuidores regulares.

Na zona sul da capital, uma adega foi flagrada comercializando gin importado adulterado; quatro jovens foram internados e exames confirmaram a presença de metanol. Em Americana (SP), a polícia fechou uma fábrica clandestina com 17.790 itens, resultando em duas prisões. Apenas nos últimos dias, mais de 800 garrafas foram apreendidas em operações de fiscalização.

Levantamento da Fhoresp, divulgado em abril, estima que 36% das bebidas vendidas no Brasil sofrem fraude, falsificação ou contrabando, atingindo principalmente destilados como gin, vodca e uísque.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, determinou que a Polícia Federal abra inquérito para rastrear a rede de distribuição e a origem do metanol. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que não há indícios de envolvimento do PCC nos casos. Já a Secretaria Nacional do Consumidor alertou que nem toda irregularidade fiscal significa adulteração, mas reforçou a importância de verificar a procedência.

Ricardo Lewandowiski fala sobre intoxicação por metanol em São Paulo
Ricardo Lewandowiski fala sobre intoxicação por metanol em São Paulo.

Risco, sintomas e orientações aos consumidores

O metanol é altamente tóxico mesmo em pequenas doses e não tem cheiro ou gosto que o diferencie do etanol, o que dificulta a identificação sem exame laboratorial. Os primeiros sinais podem imitar uma “ressaca”: sonolência, tontura, náusea, vômito e confusão. Entre 6 e 24 horas, surgem sintomas graves: visão turva, fotofobia e até cegueira — às vezes irreversível — além de convulsões, coma, acidose metabólica e insuficiência renal.

Um dos pacientes em SP relatou sensação de “tudo rodando”, com quadro inicialmente interpretado como mal-estar pós consumo. Em Pernambuco, os dois homens que morreram apresentaram sintomas semelhantes logo após consumir as bebidas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu recomendações urgentes a bares, restaurantes, hotéis, mercados e e-commerce: comprar apenas de fornecedores confiáveis, exigir nota fiscal e desconfiar de preços muito abaixo do mercado; isolar e interromper a venda de lotes suspeitos; e acionar atendimento médico imediato e o Disque-Intoxicação se clientes apresentarem alterações visuais ou neurológicas. O Sindiclubes orientou associados a suspender preventivamente a venda de destilados.

Consequências legais

A adulteração de bebidas com metanol pode configurar crimes contra a saúde pública e o consumidor, com penas que, somadas, podem chegar a 12 anos de prisão. Estabelecimentos que não falsificaram o produto, mas compraram sem a devida cautela, também podem ser responsabilizados.

 

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