Uma megaoperação do Ministério Público deflagrada nesta manhã (19) mira um esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do DF. Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF.
A Operação Juros Zero cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Por decisão do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), quase R$ 90 milhões foram bloqueados em contas da PicPay e da Associação dos Servidores.
Entre os investigados estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, atualmente preso; e Eduardo Chedid Simões, diretor da PicPay que foi alvo de pedido de indiciamento pela CPMI do INSS.
Segundo inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), a PicPay, dos irmãos Batista, teria realizado descontos irregulares de empréstimos consignados nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do DF. Os valores estariam ligados ao serviço de antecipação salarial oferecido pela empresa ao funcionalismo público após a assinatura de contrato com a Secretaria de Economia do DF, em setembro de 2024.
O TCDF apontou “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento, relacionada à amortização dos valores antecipados pela plataforma. Os descontos somaram R$ 11,7 milhões em 2024. Entre janeiro e agosto do ano seguinte, o montante chegou a R$ 70 milhões.
Segundo relatório da Corte, a PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Em fevereiro, o tribunal determinou a suspensão de novos descontos em folha vinculados à empresa após identificar irregularidades na cobrança de taxa sobre a antecipação salarial.
Desde 2024, a PicPay é a única instituição autorizada a realizar desconto compulsório em folha para essa modalidade no GDF. A operação é executada pela BRB Serviços, subsidiária do BRB.
Os investigados respondem por suspeitas de crimes contra a economia popular, publicidade enganosa nas relações de consumo, inserção e modificação de dados em sistemas da Administração Pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
