“Master funcionava como lavanderia do PCC”
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

“Master funcionava como lavanderia do PCC”, diz relator da CPI

Senador Alessandro Vieira afirma que investigação aponta uso de fundos em cadeia para lavagem de dinheiro

“Master funcionava como lavanderia do PCC”, diz relator da CPI

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que as investigações do colegiado indicam que o Banco Master pode ter sido utilizado para operações de lavagem de dinheiro.

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Segundo o parlamentar, há indícios de uso de fundos financeiros em cadeia para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre as possíveis origens, ele citou repasses ligados ao Primeiro Comando da Capital.

“A gente avança com muito cuidado para não cometer injustiças, mas já é muito evidente que tem ali uma aparente lavanderia. (Há) o uso de vários fundos em cadeia para lavagem de dinheiro de diversas origens, como do PCC, pagamento de autoridades, de servidores públicos de carreira, políticos, e deste grupo criminoso para familiares de ministros”, disse Vieira em entrevista ao SBT News.

O senador afirmou que a circulação de recursos ainda não foi classificada automaticamente como ilegal. Segundo ele, em alguns casos os repasses podem não ter caráter “ilícito”, mas seriam “moralmente reprováveis”.

Vieira é autor do pedido de instalação de uma investigação parlamentar para apurar relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre os pontos citados pelo senador está o contrato firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes Advogados, ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes. O contrato teria valor total de R$ 129 milhões.

“Quando o Master contrata o escritório de advocacia da esposa do Alexandre de Moraes, está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviço correspondente aos valores recebidos? Até o momento, o indicativo é de que não”, declarou Vieira.

O escritório confirmou a existência do contrato, mas afirmou que não realizou defesa do banco em processos no Supremo.

Após as declarações do senador, o escritório informou que ingressará com ação judicial contra Alessandro Vieira. A banca afirma que as informações são falsas e que o processo apontará calúnia e difamação.

Vieira classificou a medida como uma “tentativa de intimidação” e afirmou que o processo configura “lawfare”.

Outro ministro citado em conexões com o banco é Dias Toffoli. O magistrado confirmou participação societária em empresa ligada a um resort no Paraná que teria relação com o Banco Master.

Toffoli não comentou a entrevista concedida pelo senador. O ministro já havia se declarado suspeito para atuar em decisões relacionadas ao caso.

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