CEO do Master teve 17 encontros com BC antes de liquidação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

CEO do Master teve 17 encontros com BC antes de liquidação

Reuniões ocorreram enquanto instituição já estava sob alerta por risco de liquidez

CPMI do INSS aprova convocação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de investigação por fraudes no crédito consignado
Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, participou de pelo menos 17 reuniões com o Banco Central (BC) entre fevereiro e outubro de 2025, pouco mais de um mês antes da liquidação do banco e de sua prisão na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

As informações foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e detalham encontros na sede da autarquia em Brasília e na unidade de São Paulo.

Segundo os registros do BC, Vorcaro se reuniu com a Presidência da autarquia, comandada por Gabriel Galípolo, com a Diretoria de Fiscalização, sob responsabilidade de Aílton de Aquino, e com outros departamentos, como Supervisão Bancária e Coordenação-Geral de Inteligência Financeira.

O documento não detalha quais autoridades específicas participaram, apenas as unidades que receberam o executivo.

As agendas coincidiram com momentos críticos para o Master, que já havia recebido alertas do BC sobre dificuldade de captar recursos e risco de sanções.

Em novembro de 2024, quatro meses antes da tentativa de venda do banco ao BRB, o regulador indicou a possibilidade de adotar “medidas prudenciais preventivas”.

No dia 8 de abril de 2025, Vorcaro esteve na representação do BC em São Paulo, quando foi notificado de que as ações adotadas pelo banco eram insuficientes para reduzir o risco de liquidez. Na ocasião, o Master havia interrompido depósitos compulsórios obrigatórios ao BC, e o executivo assinou um termo de compromisso exigindo recomposição imediata de liquidez. No dia seguinte, houve outra reunião, desta vez com a Diretoria de Fiscalização.

Em 8 de maio, Vorcaro voltou ao gabinete da presidência do BC, no mesmo dia em que o Master solicitou a suspensão temporária do recolhimento compulsório de depósitos — pedido rejeitado pelo regulador. Dois meses depois, em julho, o BC identificou irregularidades nas operações de crédito do Master vendidas ao BRB, incluindo transações suspeitas e sem comprovação financeira, que posteriormente embasaram investigações criminais e levaram à prisão da cúpula do banco.

Sob pressão do regulador, Vorcaro participou de novas reuniões com Galípolo e Aquino em 22 de julho. Dois dias depois, o BC autorizou a transferência do controle do Banco Voiter (atual Banco Pleno) para Augusto Lima, então sócio de Vorcaro, como parte da tentativa de reestruturação do Master e venda ao BRB. O negócio acabou sendo rejeitado pelo BC em 3 de setembro.

Em 4 de setembro, Vorcaro se reuniu com a Coordenação-Geral de Inteligência Financeira em São Paulo e assinou novo termo de compromisso para recomposição da liquidez em dois dias úteis, com extensão até 30 de setembro. A última reunião documentada ocorreu em 1º de outubro com a Diretoria de Fiscalização e o Departamento de Supervisão Bancária. Quarenta e oito dias depois, o Banco Master foi liquidado.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade