Para o constitucionalista, parte da esquerda enfraquece o debate ao tratar ações policiais como autoritárias
Durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta segunda-feira (17), o advogado constitucionalista André Marsiglia criticou o que chamou de visão “demonizada” da violência por parte de setores da esquerda e defendeu que o uso legítimo da força pelo Estado é fundamental para a manutenção da ordem.
Marsiglia afirmou que, para parte da esquerda, a violência estatal é automaticamente tratada como autoritária, o que, segundo ele, compromete a compreensão sobre segurança pública.
“Parece que a polícia é fascista, as armas são fascistas, tudo que represente violência é fascista”, disse.
Ele reforçou que a violência, exercida legalmente, não é intrinsecamente negativa. O advogado citou o conceito weberiano do monopólio da força (relacionado ao sociólogo Max Weber) e destacou que sociedades antigas já recorriam a mecanismos violentos para proteger seus valores e estruturas políticas.
Além disso, apontou que parte das propostas de combate ao crime apresentadas por setores progressistas “não se sustentam fora do discurso”.
Maduro
O programa também contou com a participação do analista de segurança internacional Marcos Degaut, que avaliou mecanismos de controle social empregados pelo regime do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Ele afirmou que os chamados “comitês bolivarianos de base integral” funcionam como núcleos de monitoramento ideológico e mobilização política dentro das comunidades.
“É um resquício dos sovietes (conselhos de trabalhadores, camponeses e soldados que surgiram na Rússia em 1905). Serve para vigiar, mobilizar e distribuir benefícios em troca de apoio”, explicou.
Segundo Degaut, Maduro busca reforçar sua legitimidade ao combinar discurso patriótico, distribuição de privilégios e apelo religioso.
