Lulistas tentam colar caso Master em Flávio Bolsonaro após ação contra Ciro
Brasília, Sábado, 27 de junho de 2026
Política

Lulistas tentam colar caso Master em Flávio Bolsonaro após ação contra Ciro

Aliados de Lula associam senador do PL ao escândalo do Banco Master e avaliam impacto político no Congresso

Quaest: 56% dizem já ter voto definido para presidente
Fotos: PR e Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Integrantes do governo do Lula passaram a associar o senador Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master após a Polícia Federal deflagrar nova fase da Operação Compliance Zero contra o senador Ciro Nogueira.

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A operação da PF investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo informações citadas na investigação, Vorcaro teria pago valores mensais a Ciro Nogueira. Um dos pontos analisados pela PF envolve a tentativa de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, medida que poderia beneficiar bancos médios e instituições com forte captação via CDBs.

A ofensiva política começou após aliados do Planalto relacionarem Ciro a Flávio Bolsonaro. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, afirmou que “a nova operação mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do BolsoMaster”.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também publicou vídeo nas redes sociais relacionando Flávio Bolsonaro a Ciro Nogueira. “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de 300 mil do Master. Precisa desenhar?”, declarou.

Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que o desgaste sobre Ciro pode dificultar negociações do PP para integrar uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro em 2026. A avaliação no governo é que o episódio pode reduzir as chances de uma aliança formal com o partido do senador piauiense.

Ao mesmo tempo, integrantes do Palácio do Planalto demonstram preocupação com a reação do Congresso Nacional. Lideranças governistas avaliam que a operação contra Ciro tende a ampliar a crise política entre o Executivo e o centrão.

Parlamentares do bloco afirmam reservadamente que o governo estimula as investigações do caso Master para atingir adversários políticos. O Planalto nega qualquer interferência na Polícia Federal e afirma que o inquérito tramita sob relatoria do ministro André Mendonça, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A crise ocorre após duas derrotas recentes do governo no Congresso: a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria do 8 de Janeiro e a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF.

Nos bastidores, aliados do governo avaliam que parlamentares insatisfeitos com o avanço das investigações do caso Master atuaram contra a indicação de Messias ao Supremo.

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