O presidente Lula posou nesta quinta-feira (3) segurando um cartaz com a frase “Cristina Libre”, em referência à ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após condenação por corrupção.
A imagem foi compartilhada pelo escultor argentino Adolfo Pérez Esquivel e do deputado argentino Eduardo Valdés.
Esquivel afirmou que esteve com seu “irmão e companheiro” Lula para manifestar apoio a Cristina. Ele defendeu que a prática de “lawfare”, termo usado para descrever o uso político do Direito para desgastar alvos, segue viva na região, “destruindo democracias”.
O escultor comparou a situação de Cristina à de Lula, que também utilizou o termo “lawfare” para se referir aos processos da Operação Lava Jato. “Se caíram as mentiras contra Lula no Brasil, elas vão cair aqui [na Argentina]. Cristina é inocente“, escreveu Esquivel.
Mais cedo, Lula visitou Cristina em sua residência, onde ela cumpre a pena.
Nas redes sociais, Lula comentou a visita, expressando “muita felicidade em revê-la e encontrá-la tão bem, com força e gana de luta”.
Visitei hoje a companheira e ex-presidenta Cristina Kirchner (@CFKArgentina) em sua residência, em Buenos Aires. Fiquei muito feliz em revê-la e encontrá-la tão bem, com força e gana de luta.
Tenho por Cristina uma amizade de muitos anos que vai muito além da relação… pic.twitter.com/EMRwu5GiZj
— Lula (@LulaOficial) July 3, 2025
Cristina Kirchner também se manifestou em uma rede social, agradecendo a “solidariedade” de Lula. A ex-presidente reiterou que cumpre prisão domiciliar por decisão de um Poder Judiciário que, em sua visão, “deixou de dissimular sua subordinação política e se converteu em um partido político a serviço do poder econômico”.
Ela traçou um paralelo com o caso de Lula, afirmando que ele “também foi perseguido, usaram lawfare para prendê-lo e tentaram silenciá-lo. Não conseguiram. Ele voltou com o voto do povo brasileiro e de cabeça erguida”. Cristina ainda aproveitou a ocasião para criticar as medidas do governo de Javier Milei, de quem é adversária política.
Sentença de Kirchner
A peronista foi condenada em 2022, com a sentença confirmada pela Corte Suprema em junho de 2025, pelo crime de administração fraudulenta em prejuízo do Estado no caso conhecido como “Causa Vialidad”.
Ela foi considerada culpada por direcionar irregularmente 51 contratos de obras públicas na província de Santa Cruz, berço político dos Kirchners, entre 2003 e 2015, durante os governos dela e de seu marido, Néstor Kirchner. As obras foram concedidas à empresa Austral Construcciones, de Lázaro Báez, testa de ferro da família Kirchner.
As licitações beneficiaram Báez com sobrepreços e atrasos injustificados, resultando em um prejuízo estimado ao Estado em mais de US$ 500 milhões.
