O presidente Lula condenou os ataques de Israel ao Irã durante discurso na Cúpula do G7, nesta terça-feira (17), e afirmou que as ações ameaçam transformar o Oriente Médio em um “único campo de batalha”.
“Os recentes ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis”, declarou o presidente, dirigindo-se aos 16 líderes presentes no almoço de trabalho.
O petista defendeu que “não haverá segurança energética em um mundo conflagrado” e criticou os altos gastos militares internacionais.
“Ano após ano, guerras e conflitos se acumulam. Gastos militares consomem anualmente o equivalente ao PIB da Itália.”
O chefe do Executivo ainda declarou que o cenário atual de conflitos é agravado pela ausência de uma liderança global eficaz. “Não subestimo a magnitude da tarefa de debelar todas essas ameaças. Mas é patente que o vácuo de liderança agrava esse quadro.”
O discurso foi feito na sessão ampliada da cúpula, já que o Brasil não integra o G7 — composto por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. O Palácio do Planalto divulgou a transcrição, mas não houve transmissão ao vivo da fala.
Lula também se referiu à guerra na Ucrânia: “Todos nesta sala sabem que, no conflito na Ucrânia, nenhum dos lados conseguirá atingir seus objetivos pela via militar. Só o diálogo entre as partes pode conduzir a um cessar-fogo e pavimentar o caminho para uma paz duradoura.”
Ao comentar o conflito em Gaza, o presidente voltou a criticar Israel: “Em Gaza, nada justifica a matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças e o uso da fome como arma de guerra. Ainda há países que resistem em reconhecer o Estado palestino, o que evidencia sua seletividade na defesa do direito e da justiça.”
Durante a foto oficial do encontro, Lula se distraiu e precisou ser chamado de volta à pose. A premiê italiana Giorgia Meloni conversava com ele, quando foi alertado por António Costa, do Conselho Europeu. Emmanuel Macron, Mark Carney e outros líderes riram ao tentar chamar sua atenção:
“Lula, Lula, Lula”, disseram, entre risos. O ucraniano Volodymyr Zelensky também sorriu com a situação.

