Lula cobra diálogo com EUA após ação contra delegado da PF
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Política

Lula cobra diálogo com EUA após ação contra delegado da PF

Governo reage com reciprocidade e cobra retomada da cooperação

Lula e Trump voltar
Photo: Daniel Torok/White House

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Lula afirmou nesta terça-feira (22) esperar que os Estados Unidos estejam dispostos a conversar e que a relação entre os dois países volte à normalidade.

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Em vídeo publicado nas redes sociais ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Lula elogiou a decisão de retirar as credenciais de trabalho de um funcionário do governo dos Estados Unidos que atua no Brasil.

A medida foi uma resposta à ação do governo americano, que solicitou a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.

“Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse o presidente.

O Ministério das Relações Exteriores informou que os Estados Unidos não seguiram a “boa prática diplomática” ao adotar a medida contra o delegado brasileiro sem diálogo prévio.

Segundo o Itamaraty, a decisão americana ocorreu sem pedido de esclarecimentos ou consulta formal ao governo brasileiro, contrariando o memorando de entendimento firmado entre os dois países para cooperação policial.

O governo brasileiro informou à embaixada americana que aplicará o princípio da reciprocidade, com a interrupção das atividades de um representante norte-americano no país.

Nos bastidores, o aviso foi feito de forma verbal antes mesmo da publicação da nota oficial.

Cronologia do caso

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava desde 2023 como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).

Em setembro de 2025, Alexandre Ramagem deixou o Brasil após condenação do Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.

Em 13 de abril de 2026, ele foi preso em Orlando por questões migratórias e liberado dois dias depois.

No dia 20 de abril, o governo dos Estados Unidos determinou que o delegado brasileiro deixasse o país, alegando tentativa de contornar procedimentos de extradição.

No dia seguinte, o governo brasileiro reagiu e passou a discutir a aplicação de medidas equivalentes.

Em 22 de abril, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente americano que atuava em Brasília, seguindo o princípio da reciprocidade.

Segundo Andrei Rodrigues, a medida impede o acesso do agente às instalações da PF e aos sistemas de cooperação policial.

O diretor da PF afirmou que a decisão foi tomada “com pesar” e negou que tenha havido expulsão formal de qualquer agente.

O caso segue em apuração, enquanto os governos de Brasil e Estados Unidos mantêm tratativas diplomáticas sobre o episódio.

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