Lula aumenta gasto para autopromoção na Secom
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Lula aumenta gasto para autopromoção na Secom

Sidônio Palmeira prepara novo slogan para governo Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Redação

Recursos para slogans e ações institucionais chegam a 57% do orçamento

Na véspera de um ano eleitoral, o governo Lula ampliou os recursos destinados à divulgação de slogans e programas da gestão petista, como “Brasil Soberano” e Gás do Povo. A chamada comunicação institucional passou a concentrar 57% do orçamento de publicidade federal. Os 43% restantes ficaram com campanhas de utilidade pública, como vacinação ou orientações sobre o saque-aniversário do FGTS, segundo levantamento da Folha.

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A mudança altera a lógica de distribuição de verbas observada até meados da última década, quando campanhas de utilidade pública chegaram a ocupar 70% do orçamento. Em 2022, último ano de Jair Bolsonaro na Presidência, a fatia dedicada à promoção do governo federal atingiu 50,6%.

Ao longo de 2025, o Executivo reforçou o caixa da Secom em mais de R$ 116 milhões e consolidou a prioridade dada às ações de propaganda institucional. O levantamento considera R$ 1,54 bilhão reservados às duas frentes de comunicação. As campanhas de utilidade pública somam R$ 661,6 milhões distribuídos pelos ministérios. Já a comunicação institucional, sob responsabilidade direta da Secom, alcança R$ 876,8 milhões.

Em nota, a secretaria nega que os recursos tenham finalidade política e afirma que a publicidade busca “garantir o acesso da população beneficiada às informações relacionadas a esses serviços e entregas”.

O avanço do orçamento coincide com a entrada de Sidônio Palmeira no comando da Secom. A pasta passou a direcionar mais verba para ações na internet e ampliou a contratação de influenciadores digitais. Um novo contrato de comunicação digital, estimado em R$ 100 milhões anuais, prevê a produção de cerca de 3.000 vídeos para as redes sociais. Apenas os 576 vídeos com apresentador devem custar R$ 12,3 milhões por ano. O pacote inclui podcasts, videocasts e outras mídias.

As agências participantes apresentaram propostas para fortalecer o alcance dos conteúdos do governo sobre programas como Pé-de-Meia, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. Entre as peças recentes, um vídeo das redes “gov.br” colocou o apresentador João Kléber em uma paródia comparando os governos Lula e Donald Trump.

A estratégia se expande para outros ministérios. A Fazenda pediu R$ 120 milhões adicionais para serviços de imprensa, publicidade e comunicação digital, com foco em divulgar ações como a reforma tributária e o Plano de Transformação Ecológica.

A nova linha contrasta com a orientação do ex-ministro Paulo Pimenta, que priorizava rádios para ampliar o alcance entre a população de baixa renda e regiões distantes dos grandes centros. Sidônio também nomeou Mariah Queiroz para a secretaria responsável por estratégias digitais. Ela atuava na comunicação do prefeito de Recife, João Campos.

Em nova manifestação, a Secom afirmou que campanhas de utilidade pública têm caráter educativo, enquanto ações institucionais abrangem divulgação de políticas, direitos e serviços. A secretaria diz que o objetivo é dar transparência às entregas do Executivo e nega relação com o calendário eleitoral.

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