Lula assina artigo sobre multilateralismo, mas repete velhos discursos sem soluções - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Lula assina artigo sobre multilateralismo, mas repete velhos discursos sem soluções

Claudio Dantas - Materia Lula

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Por Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um artigo de opinião em conjunto com Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, e Pedro Sánchez, presidente do governo da Espanha. O texto, intitulado “Unindo forças para superar desafios globais”, foi publicado nesta quinta-feira (6) no jornal O Globo e no francês Le Grand Continent.

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Os líderes afirmam que 2025 “será decisivo para o multilateralismo” e citam desafios como desigualdades crescentes, mudanças climáticas e déficit de financiamento para o desenvolvimento sustentável. Segundo eles, esses temas “são urgentes e estão interconectados”.

Os presidentes defendem a reformulação da “arquitetura financeira global” para dar mais representatividade ao Sul Global. Entre as soluções, mencionam o alívio de dívidas, mecanismos de “financiamento inovadores” e a “cooperação financeira internacional mais robusta”. Também falam em “aprimoramento da taxação da riqueza global”, mas sem apresentar propostas concretas para atrair investimentos ou reduzir barreiras ao crescimento.

Segundo os autores do artigo, muitos países em desenvolvimento não conseguem promover uma “transição climática justa” por falta de recursos. Para isso, esperam que a COP30, em Belém, transforme promessas em “ações concretas”. No entanto, o texto não detalha como esses fundos seriam viabilizados nem enfrenta a dependência desses países de economias mais avançadas.

 

O artigo cita três eventos como oportunidades para um “mundo mais justo, inclusivo e sustentável”:
• FfD4 (4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento), em Sevilha (Espanha);
• COP30, em Belém (Brasil);
• Cúpula do G20, em Joanesburgo (África do Sul).

Os líderes dizem que “essas reuniões não podem ser apenas mais do mesmo” e “precisam entregar progressos reais”. Escreveram: “Em Sevilha, trabalharemos no sentido de mobilizar capital público e privado para o desenvolvimento sustentável, reconhecendo a inseparável relação entre estabilidade financeira e ação climática. Em Joanesburgo, o G20 reafirmará a importância de um crescimento econômico inclusivo. E, em Belém, estaremos lado a lado para proteger nosso planeta”.

Na prática, o discurso segue a mesma linha de eventos anteriores: promessas amplas, conceitos vagos e nenhuma garantia de que algo será implementado.

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