Lula antecipa viagem ao G7 para tentar reunião com Trump sobre tarifaço
Brasília, Quinta, 11 de junho de 2026
Política

Lula antecipa viagem ao G7 para tentar reunião com Trump sobre tarifaço

Presidente quer discutir pessoalmente medidas comerciais dos EUA e busca encontro bilateral durante cúpula na França

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Photo: Daniel Torok/White House

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Lula (PT) decidiu antecipar sua chegada à França para tentar viabilizar um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7, que será realizada em Évian-les-Bains, na região da Alta Saboia.

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Segundo integrantes do governo, a Casa Branca sinalizou positivamente para uma conversa entre os dois líderes à margem do evento. Lula pretende tratar diretamente das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e buscar esclarecimentos sobre o posicionamento da administração norte-americana em relação às recomendações feitas pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

O presidente embarca no domingo (14), um dia antes do início oficial das atividades envolvendo os países convidados. A estratégia do Palácio do Planalto é garantir a presença de Lula já na abertura da cúpula, na segunda-feira (15), diante da possibilidade de Trump permanecer apenas no primeiro dia do encontro, repetindo o que ocorreu no G7 realizado no Canadá no ano passado.

Auxiliares do presidente afirmam que Lula quer saber se Trump endossa as propostas que preveem novas tarifas sobre produtos brasileiros. A avaliação do governo é que uma conversa direta poderá ajudar a definir os próximos passos das negociações comerciais entre os dois países.

Nos bastidores, integrantes do Planalto admitem preocupação com o agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, cenário que poderia comprometer a agenda do presidente norte-americano e inviabilizar o encontro bilateral.

No governo brasileiro, há expectativa de que parte das medidas anunciadas por Washington ainda possa ser revertida. A proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por supostas práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos, é vista como passível de negociação.

Já a sobretaxa de 12,5% associada a alegações de insuficiência no combate ao trabalho forçado é considerada mais difícil de ser revertida. Integrantes da equipe econômica avaliam que a medida serviria para recompor parte da tarifa global de 10% aplicada anteriormente pelo governo Trump sobre produtos importados, posteriormente derrubada pela Justiça norte-americana.

Enquanto Lula busca espaço para uma negociação direta com Trump, equipes técnicas dos dois países mantêm conversas para tentar reduzir atritos comerciais.

Uma reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer estava prevista para esta quinta-feira (11), mas foi adiada por questões de agenda.

O governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos uma lista de produtos industriais que poderiam ter tarifas reduzidas ou zeradas. Entre os interesses brasileiros estão equipamentos hospitalares, setor que o governo considera estratégico para ampliar o comércio bilateral.

Além disso, o Brasil admite discutir outros temas tarifários, incluindo o etanol. No entanto, segundo fontes envolvidas nas negociações, as conversas atuais estão concentradas nos bens industriais.

Outra questão observada pelo governo envolve a moratória do comércio eletrônico na Organização Mundial do Comércio (OMC), mecanismo que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas internacionais.

Embora o tema não faça parte das negociações em andamento, integrantes do governo reconhecem que a manutenção da moratória é uma prioridade para Washington, especialmente para empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Ainda assim, interlocutores afirmam que não há qualquer negociação vinculando o assunto à eventual suspensão de medidas comerciais contra o Brasil.

A agenda bilateral de Lula durante o G7 ainda está sendo fechada. O presidente pretende se reunir também com líderes da Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido.

O Brasil participa da cúpula como país convidado. A programação prevê a chegada das delegações e os eventos de recepção no dia 15. As principais discussões ocorrerão em 16 de junho, quando os países convidados participam das sessões ampliadas. O encerramento está previsto para o dia 17, com a divulgação dos documentos finais e coletivas de imprensa.

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