Líderes árabes aprovam plano para Gaza e desafiam proposta de Trump - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Líderes árabes aprovam plano para Gaza e desafiam proposta de Trump

Israel usa tanques na Cisjordânia pela 1ª vez em 20 anos
Foto: rEPRODUÇÃO/X @France24_en

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Por Redação

Líderes árabes aprovaram, na terça-feira (4), um plano de US$ 53 bilhões para reconstruir Gaza e restabelecer o controle da Autoridade Palestina sobre o território, segundo informações divulgadas pela France Presse. A proposta, apresentada pelo Egito, se contrapõe à ideia de Donald Trump, que previa a remoção dos palestinos e a criação de um centro turístico na região.
Reunidos no Cairo, os países da Liga Árabe condenaram o que chamaram de “tentativas imorais” de deslocar palestinos e defenderam a unificação sob a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), excluindo o grupo terrorista Hamas.
A primeira fase do plano, com duração de seis meses, prevê a remoção de escombros, minas e explosivos, além da construção de habitações temporárias para 1,5 milhão de pessoas. Na sequência, a proposta contempla a reconstrução da infraestrutura básica, seguida pela criação de um porto e um aeroporto.
“Qualquer tentativa imoral de deslocar o povo palestino ou de anexar parte dos territórios palestinos ocupados mergulharia a região em uma nova fase de conflitos, o que representa uma clara ameaça à paz”, alertaram os líderes árabes no comunicado final da cúpula.
Trump, por sua vez, propôs que os EUA assumissem o controle da Faixa de Gaza, expulsando os 2,4 milhões de palestinos e transformando o local em uma “Riviera do Oriente Médio”, com resorts luxuosos e estátuas douradas do republicano. A ideia foi amplamente criticada por líderes internacionais, mas ainda conta com o apoio de parte do eleitorado conservador americano.
O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, evitou criticar diretamente Trump, afirmando que o ex-presidente dos EUA “é capaz de conseguir a paz”. No entanto, defendeu que os palestinos permaneçam em suas terras, em oposição ao plano americano de realocação para o Egito e Jordânia.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que pretende organizar eleições em Gaza e na Cisjordânia “no próximo ano”, desde que haja condições adequadas. O Hamas aceitou a criação de um comitê para administrar o território, mas rejeitou qualquer desarmamento.
“As armas da resistência são uma linha vermelha, uma questão não negociável. Qualquer conversa sobre a deportação dos combatentes da resistência ou de nosso povo será rechaçada de antemão”, declarou Sami Abu Zuhri, um dos líderes do grupo.
Israel, por sua vez, criticou o plano árabe e alertou que a Autoridade Palestina e a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) são “corruptas” e “apoiam o terrorismo”. O governo israelense reforçou que qualquer cessar-fogo definitivo só ocorrerá com a “desmilitarização total” de Gaza e a devolução dos reféns sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
O conflito já deixou mais de 48 mil mortos em Gaza, segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas. Em Israel, o ataque do grupo terrorista causou a morte de 1.218 pessoas, incluindo reféns mortos durante o cativeiro.

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