Licitações milionárias para compra de coletes no governo de SP são suspensas - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Licitações milionárias para compra de coletes no governo de SP são suspensas

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Por Redação

Justiça aponta tratamento diferenciado para empresa francesa e risco à vida de policiais

A Justiça suspendeu duas licitações milionárias da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, pasta comandada por Guilherme Derrite, para compra de coletes à prova de balas para policiais civis e militares. As decisões, de primeira e segunda instâncias, apontam suspeitas de favorecimento à empresa francesa Protecop, além de riscos à integridade dos agentes devido à falta dos equipamentos.

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Relatórios da Polícia Civil alertaram que 8.293 coletes estão vencidos e mais de 4.000 vencerão entre julho e agosto. Sem reposição, a segurança dos policiais em operações fica comprometida. A suspensão da compra foi classificada como ameaça à vida e à integridade física dos agentes.

O pregão da Polícia Civil, de R$ 28,1 milhões para a compra de 16 mil coletes, foi vencido pela Protecop, mesmo após desclassificação de duas empresas que apresentaram propostas mais baratas, R$ 17,6 milhões e R$ 18 milhões. As desclassificações ocorreram por divergências nas certificações técnicas dos materiais, mas a empresa francesa também apresentou documentos com normas diferentes, que acabaram aceitos.

O Ministério Público questiona a legalidade da decisão.

Há comprovação de que a Polícia Civil de São Paulo acabou por dar tratamento diferente à vencedora”, afirmou a procuradora Ana Maria Napolitano de Godoy.

Os problemas não param na Polícia Civil. A compra de 15 mil coletes pela Polícia Militar também está suspensa, desde 29 de abril, por determinação judicial que identificou exigências sem critério técnico claro no edital, que restringiriam a participação de fornecedores.

A falha em uma compra anterior da PM já havia gerado crise, quando coletes adquiridos apresentaram falhas em testes balísticos. O promotor Clovis de Castro Humes destacou que os coletes oferecidos pela Protecop “não demonstraram ser seguros”.

Enquanto isso, o secretário de Segurança, Guilherme Derrite, afirmou que a pasta iniciou novos procedimentos para adquirir coletes e garantiu que medidas administrativas estão sendo tomadas para proteger os policiais. As duas licitações seguem suspensas até julgamento do mérito.

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