Deputado afirma que optou pela alternativa possível no plenário
Cobrado nas redes sociais, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) justificou o voto que resultou na suspensão do mandato de Glauber Braga (Psol) por seis meses. O parlamentar afirmou que tentou articular a cassação, mas não havia votos suficientes para alcançar os 257 necessários.
No X, Kim explicou que sua escolha foi estratégica. “Eu tentei. Lutei no plenário para virar votos em favor da cassação. Porém, nós precisaríamos dos 257 votos necessários para cassá-lo, e em nenhuma votação da noite alcançamos esse número. Para garantir que Glauber Braga não saísse sem punição, optei pela votação de sua suspensão”, escreveu.
Eu tentei. Lutei no plenário para virar votos em favor da cassação. Porém, nós precisaríamos dos 257 votos necessários para cassá-lo, e em nenhum votação da noite alcançamos esse número. Para garantir que Glauber Braga não saísse sem punição, optei pela votação de sua suspensão.… pic.twitter.com/8xvbnenw4n
— Kim Kataguiri (@KimKataguiri) December 11, 2025
Ele criticou a conduta de Glauber no episódio que levou ao processo. Segundo Kim, é “absolutamente vergonhosa a postura de um parlamentar covarde, que não tem o mínimo de decência para cassar o mandato de um sujeito que expulsa, a pontapés, um cidadão do Congresso Nacional”. A cassação foi analisada porque Glauber chutou o militante Gabriel Costenaro, do MBL, em abril de 2024.
Diante de críticas sobre sua ligação com o movimento, Kim respondeu a um usuário afirmando que faltava “raciocínio lógico” para entender o cenário, reiterando que a alternativa era suspender o mandato ou deixar o deputado sem qualquer punição. “Se perdêssemos essa votação também o Glauber não teria punição alguma. Precisa que eu desenhe?”, questionou.
O plenário decidiu pela suspensão após aprovar emenda apresentada pelo Psol, com 318 votos. A sessão ocorreu em meio à repercussão da confusão do dia anterior, quando Glauber ocupou a cadeira da Presidência da Câmara e foi retirado à força pela Polícia Legislativa. Jornalistas foram expulsos do plenário durante a operação e relataram agressões.
Na mesma noite, os deputados arquivaram a cassação de Carla Zambelli (PL-SP). O parecer favorável à perda de mandato não atingiu os 257 votos mínimos. Condenada pelo STF por participação intelectual na invasão dos sistemas do CNJ, Zambelli está presa na Itália enquanto aguarda a decisão sobre extradição. Ela já está impedida de disputar eleições por acumular penas que somam 15 anos e 3 meses de prisão.