A defesa do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, um dos chamados “kids pretos”, incluiu, no rol de testemunhas a serem ouvidas em eventual ação penal, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A peça de defesa descreve Moraes como “suposta vítima” e justifica a necessidade de sua oitiva. “Conforme apurado em relatório da Polícia Federal e na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o suposto nexo causal entre o acusado e a tentativa de golpe reside, essencialmente, no monitoramento e no atentado contra a vida da possível vítima, o excelentíssimo ministro Alexandre de Moraes”, aponta o documento.
“Com o devido respeito, e sem qualquer intenção de promover defesa antiética, mas em atenção ao compromisso com a defesa técnica efetiva e ao rigor jurídico que o presente caso exige, revela-se absolutamente necessária a oitiva do excelentíssimo ministro Alexandre de Moraes na qualidade de vítima, especialmente considerando que seu nome foi mencionado por pelo menos 43 vezes na peça acusatória”, detalha o advogado Jeffrey Chiquini.
Além de Moraes, a defesa pede também a oitiva de Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, destacando seu papel nos eventos de 8 de Janeiro. “Sua oitiva, na condição de testemunha, revela-se imprescindível para a devida elucidação de todos os procedimentos adotados pelos órgãos de segurança pública, responsáveis pela preservação da ordem e proteção das instituições democráticas no Brasil”, argumenta a defesa.
O G. Dias, então ministro-chefe do GSI no 8 de Janeiro, e o delegado Alessandro Moretti, ex-diretor de Inteligência da PF e diretor-adjunto da Abin, também estão na lista. A defesa só não justifica a inclusão de Lula como testemunha.


