Justiça afasta diretor do BRB por fraudes ligadas à Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Justiça afasta diretor do BRB por fraudes ligadas à Master

Operação Compliance Zero afasta dirigentes do BRB e prende dono do Master por fraude em títulos. PF apura gestão fraudulenta e organização

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

PF aponta esquema de títulos falsos; presidente e diretor do BRB ficam 60 dias fora dos cargos

A Justiça afastou o diretor financeiro do Banco de Brasília (BRB), Dario Oswaldo Garcia Júnior, e o o presidente do Banco, Paulo Henrique Costa, por 60 dias. A decisão ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18). A ação apura a emissão e a negociação de títulos de crédito falsos envolvendo dirigentes do BRB e do Banco Master.

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A PF cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão preventiva. Entre os presos estão Daniel Vorcaro, dono do Master, o ex-sócio Augusto Lima e o tesoureiro Alberto Félix. A operação foi desencadeada um dia após o Master anunciar venda para o grupo Fictor e investidores internacionais.

O BRB mantinha negócios com o Master e havia anunciado em março de 2025 a intenção de comprar a instituição por R$ 2 bilhões, operação barrada pelo Banco Central meses depois. A investigação teve início em 2024, após o Ministério Público Federal apontar indícios de fabricação de carteiras de crédito inexistentes. Os crimes apurados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

Segundo a PF, as instituições investigadas teriam criado créditos simulados e negociado essas carteiras com outros bancos. Após aprovação das operações pelo Banco Central, substituíam os títulos por novos ativos sem avaliação técnica adequada. O Master é o principal alvo do inquérito.

Em nota, o BRB afirmou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil”. A instituição declarou ainda que seguirá operando normalmente, “preservando a segurança das operações, dos clientes, dos parceiros e de toda a sua estrutura operacional”.

O Master chamou atenção nos últimos anos pela política agressiva de captação, com oferta de rendimentos de até 140% do CDI, acima da média praticada por bancos de porte semelhante. Operações ligadas a precatórios e emissões de títulos em dólar ampliaram as dúvidas sobre a situação financeira da instituição.

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