Justiça absolve acusados de matar tenente da PM em assalto com tiro na cabeça em Fortaleza - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Outros

Justiça absolve acusados de matar tenente da PM em assalto com tiro na cabeça em Fortaleza

Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Quatro homens acusados de envolvimento no latrocínio (roubo seguido de morte) do tenente da Polícia Militar Leonardo Jader Gonçalves Lírio foram absolvidos pela Justiça do Ceará. A decisão foi proferida pela juíza Marileda Frota Angelim Timbó, da 14ª Vara Criminal.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A magistrada entendeu que não há elementos probatórios suficientes para condenar Francisco Felipe Almeida Coelho, João Gabriel Moreira Lima Horácio, Davi Flávio Lima Gomes e João Denilson Moreira Lima.

Embora o Ministério Público do Ceará (MPCE) tenha requerido a condenação dos réus, a juíza determinou a absolvição não apenas em relação à acusação de latrocínio, mas também ao suposto envolvimento em organização criminosa.

Com a decisão judicial, foram revogadas as prisões de João Gabriel e Davi Flávio, que anteriormente haviam descumprido medidas cautelares. Já Francisco Felipe e João Denilson, que já estavam em liberdade, tiveram suspensas todas as restrições, incluindo o monitoramento eletrônico.

A defesa de João Denilson, composta pelos advogados Mayko Renan Alcântara, Giancarlo Pereira de Souza e Francisco Alves Moreira, afirmou ter recebido “com serenidade e profundo senso de justiça a recente decisão relacionada ao caso, considerando que em face do nosso constituinte se deu apenas acusação de que o mesmo teria emprestado ‘arma’ utilizada no crime, o que nunca ocorreu”.

Conforme os autos, as testemunhas que estavam no local do crime relataram que não conseguiram identificar os autores, pois “estavam de capacete e estava escuro, dificultando a visibilidade. Somente viram os vídeos e disseram que a fisionomia dos indivíduos mostrados no vídeo era similar a dos réus presos”.

Na sentença, a juíza enfatizou que “é notoriamente sabido que o Direito Penal depende da prova para que exista um título condenatório, e esta há de ser cristalina e insofismável. O julgador, ao decidir sobre a procedência ou a improcedência da ação, trabalha com provas consubstanciadas no processo, produzidas com o respeito do contraditório e da ampla defesa, sendo proibido condenar por ilação, por presunção, ou à base de meras conjecturas”.

Timbó também pontuou que “os indícios e presunções existentes nos autos não podem ensejar condenação e cárcere aos acusados. São insuficientes, uma vez que inseguros e não uniformes no que tange a participação dos acusados”.

“Com ausência da ‘verdade estreme de dúvidas’ e com a fragilidade da prova contida nos autos, entendo que o caminho melhor é a absolvição, uma vez que a Jurisprudência de nossos Tribunais Pátrios é no sentido de que não se deve condenar alguém por presunção, ilação ou dedução”, concluiu a magistrada.

O crime ocorreu na noite de 13 de abril de 2022, no bairro Padre Andrade, em Fortaleza, enquanto o tenente conversava com amigos na calçada. De acordo com a denúncia do MPCE, os criminosos “mediante o emprego de violência e grave ameaça, subtraíram o revólver pertencente ao policial militar Leonardo Jader Gonçalves Lírio, que veio a falecer em decorrência dos disparos de arma de fogo efetuados durante o fato”.

Ainda segundo o Ministério Público, os suspeitos se aproximaram em motocicletas e anunciaram o assalto. Um dos envolvidos, Francisco Felipe, teria apontado a arma para um dos amigos do policial. Ao tentar reagir, o tenente foi atingido pelos disparos.

“Logo em seguida o denunciado efetuou disparo em direção a um dos amigos do ofendido Leonardo Jader, ao perceber que aquele tentou prestar socorro à vítima caída, contudo não logrou êxito em atingi-lo. Na sequência, subtraíram o revólver pertencente ao ofendido e empreenderam fuga”, narra um trecho da denúncia.

Francisco Felipe teria admitido participação no crime durante depoimento na delegacia, alegando ter jogado fora suas roupas e mochila na Lagoa da Maraponga. Mais tarde, em juízo, ele e os demais acusados negaram envolvimento no caso.

O tenente Leonardo Lírio foi encaminhado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte. Ele havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em julho de 2016.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade