JH Fonseca: derrota em Buenos Aires mostra fadiga do eleitorado com Milei Economista JH Fonseca afirma que derrota de Javier Milei em Buenos Aires expôs fadiga do eleitorado argentino e derrubou confiança do mercado.
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

JH Fonseca: derrota em Buenos Aires mostra fadiga do eleitorado com Milei

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Por Adrian Almeida

Para economista, corte abrupto nos subsídios atingiu não só pobres, mas também elites argentinas

O economista JH Fonseca avaliou nesta terça-feira (9), durante sua participação no programa ALive, que a derrota de Javier Milei na província de Buenos Aires representa um ponto de inflexão para o governo argentino. Segundo ele, o resultado revelou fadiga do eleitorado diante do programa de ajustes fiscais, o que levou o mercado a reagir com pessimismo.

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“Na minha opinião, domingo marcou um chute na paciência do eleitorado. Foi um chute do eleitorado no Millei e é um ponto de inflexão muito importante. O eleitorado argentino claramente está começando a ficar fadigado dos programas de ajuste fiscal”, afirmou.

Fonseca contou que ele próprio liquidou as posições que ainda mantinha em ativos argentinos diante do sinal negativo das urnas.

“O pouco de posição que eu tinha em Argentina, que a gente ainda carregava na gestora, mandei desovar tudo. Porque a gente estava com um lucro bastante grande”, disse.

Para o economista, o corte abrupto de benefícios e subsídios promovido por Milei atingiu não apenas os mais pobres, mas também setores mais ricos que se beneficiavam de programas implantados pelo peronismo.

“Não é só a classe baixa argentina que é viciada em programa social. É preciso entender que na Argentina o peronismo penetrou nas elites”, destacou, lembrando que subsídios de energia, por exemplo, chegavam até bairros ricos de Buenos Aires.

Na sua análise, o peronismo criou uma dependência difusa da máquina estatal, e a retirada rápida desses benefícios levou a um choque social e político. Fonseca comparou a situação ao Brasil, afirmando que a esquerda brasileira segue caminho semelhante.

“A Argentina e o Brasil estão na mesma estrada. O Brasil está no quilômetro 50, a Argentina já está no 200.”

Segundo ele, a derrota de Milei em Buenos Aires, com margem de quase 15 pontos, aumentou a percepção de risco político.

“Dá para ganhar as eleições para deputado e senador em outubro? Ainda dá, mas a tarefa ficou muito difícil e o mercado percebeu que a Argentina está fadigada”, avaliou.

O resultado, segundo Fonseca, explica a disparada do risco país para mil pontos e a queda histórica da Bolsa argentina, no pior patamar desde a pandemia.

Para o economista, o desafio agora é encontrar um caminho alternativo, já que os dois modelos de ajuste testados recentemente, o gradualismo de Mauricio Macri e o choque fiscal de Milei, enfrentaram limites políticos.

Assista ao programa completo:

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