Apoio de Meloni reforça pressão para adiar assinatura do tratado comercial para 2026
A posição da primeira-ministra Giorgia Meloni reforçou nesta quarta-feira (17) a ofensiva da França para adiar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Meloni afirmou ser “prematuro” concluir o tratado neste momento, alinhando-se ao presidente francês Emmanuel Macron.
Mais cedo, Macron avisou que a França reagirá “com firmeza” a qualquer tentativa de impor o acordo de forma acelerada. Segundo o governo francês, ainda não há garantias suficientes sobre três pontos exigidos por Paris: medidas-espelho, cláusula de salvaguarda e mecanismos de controle.
A adesão da Itália é considerada decisiva. “Se a Itália não estiver a bordo, acabou”, afirmou Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, ao destacar o peso político do país no bloco.
Do lado brasileiro, o presidente Lula declarou esperar avanço nas negociações. Ele cobrou responsabilidade de Macron e Meloni e indicou disposição para concessões adicionais, segundo a imprensa francesa.
A França pressiona Bruxelas para empurrar a assinatura para 2026, alegando riscos ao setor agrícola europeu. A Itália soma força a essa estratégia, enquanto a Polônia mantém rejeição aberta ao acordo. Hungria também sinaliza resistência.
Em sentido oposto, Alemanha e Espanha defendem a assinatura ainda nesta semana. Para esses países, o tratado ajudaria a ampliar exportações europeias, reduzir impactos de tarifas dos Estados Unidos e diminuir a dependência da China em matérias-primas estratégicas.
Negociado há 25 anos, o acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo entre a União Europeia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeja viajar ao Brasil para a assinatura, mas depende do aval de uma maioria qualificada dos Estados-membros.
O pacto pode ser bloqueado se ao menos quatro países, que representem 35% da população da União Europeia, se opuserem formalmente. Com França, Itália e Polônia entre os mais populosos, o risco de adiamento ganhou força.
