Irã condiciona redução de urânio ao fim de sanções dos EUA
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Irã condiciona redução de urânio ao fim de sanções dos EUA

Declaração ocorre após retomada de negociações em Omã

A proposta surge em meio à reabertura de conversas diplomáticas iniciadas na semana passada em Mascate, capital de Omã. Imagem: sina drakhshani/ Unsplash.

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Por Redação

O governo do Irã sinalizou nesta segunda-feira (9) que pode reduzir o nível de pureza de parte de seu urânio altamente enriquecido caso Washington suspenda as sanções impostas ao país. A declaração foi feita por Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, após a retomada do diálogo entre as duas nações.

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Segundo Eslami, Teerã admite diluir o material enriquecido a 60% — processo que consiste em misturar o produto a outros elementos para diminuir sua concentração — desde que haja levantamento das punições econômicas. O dirigente não detalhou, porém, se a exigência inclui todas as medidas internacionais ou apenas aquelas aplicadas pelos Estados Unidos.

Negociações sob tensão

A proposta surge em meio à reabertura de conversas diplomáticas iniciadas na semana passada em Mascate, capital de Omã. O encontro marcou o primeiro contato oficial relevante desde o conflito de curta duração ocorrido em junho de 2025, quando instalações nucleares iranianas foram alvo de ataques norte-americanos.

Apesar de autoridades iranianas classificarem o ambiente como positivo, as tratativas seguem cercadas de cautela. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a mencionar a possibilidade de ação militar caso não haja acordo, enquanto Teerã afirma que o programa nuclear tem fins civis.

O chanceler Abbas Araghchi declarou no domingo (8) que o país não pretende abrir mão do enriquecimento de urânio — exigência tradicional de Washington — e afirmou que o Irã “não busca bomba atômica”. Ele também questionou a seriedade americana nas negociações, mesmo diante do reforço militar dos EUA na região.

Estoque preocupa comunidade internacional

Estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. Para uso militar, o nível normalmente precisa atingir entre 85% e 90%, mas o volume atual já é visto com apreensão por Estados Unidos e Israel, que temem avanço até grau de armamento.

O paradeiro completo desse material tornou-se incerto após os bombardeios de 2025. Desde então, inspetores da AIEA relatam dificuldades para acessar algumas instalações iranianas.

O acordo nuclear firmado em 2015 limitava o enriquecimento a 3,67%, patamar superado diversas vezes por Teerã nos últimos anos.

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