O governo do Irã sinalizou nesta segunda-feira (9) que pode reduzir o nível de pureza de parte de seu urânio altamente enriquecido caso Washington suspenda as sanções impostas ao país. A declaração foi feita por Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, após a retomada do diálogo entre as duas nações.
Segundo Eslami, Teerã admite diluir o material enriquecido a 60% — processo que consiste em misturar o produto a outros elementos para diminuir sua concentração — desde que haja levantamento das punições econômicas. O dirigente não detalhou, porém, se a exigência inclui todas as medidas internacionais ou apenas aquelas aplicadas pelos Estados Unidos.
Negociações sob tensão
A proposta surge em meio à reabertura de conversas diplomáticas iniciadas na semana passada em Mascate, capital de Omã. O encontro marcou o primeiro contato oficial relevante desde o conflito de curta duração ocorrido em junho de 2025, quando instalações nucleares iranianas foram alvo de ataques norte-americanos.
Apesar de autoridades iranianas classificarem o ambiente como positivo, as tratativas seguem cercadas de cautela. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a mencionar a possibilidade de ação militar caso não haja acordo, enquanto Teerã afirma que o programa nuclear tem fins civis.
O chanceler Abbas Araghchi declarou no domingo (8) que o país não pretende abrir mão do enriquecimento de urânio — exigência tradicional de Washington — e afirmou que o Irã “não busca bomba atômica”. Ele também questionou a seriedade americana nas negociações, mesmo diante do reforço militar dos EUA na região.
Estoque preocupa comunidade internacional
Estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. Para uso militar, o nível normalmente precisa atingir entre 85% e 90%, mas o volume atual já é visto com apreensão por Estados Unidos e Israel, que temem avanço até grau de armamento.
O paradeiro completo desse material tornou-se incerto após os bombardeios de 2025. Desde então, inspetores da AIEA relatam dificuldades para acessar algumas instalações iranianas.
O acordo nuclear firmado em 2015 limitava o enriquecimento a 3,67%, patamar superado diversas vezes por Teerã nos últimos anos.
