O Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que irá incendiar qualquer navio que tentar cruzar o Estreito de Ormuz, fechado desde o último sábado (28). A declaração foi atribuída ao comando da Guarda Revolucionária do Irã pela mídia estatal e ocorre após a morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, em um bombardeio atribuído aos Estados Unidos e Israel.
Segundo o comunicado, forças navais iranianas e unidades da Guarda estariam autorizadas a atacar navios que desrespeitarem a interdição.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é considerado o principal corredor marítimo para a exportação global de petróleo. Cerca de um quinto do fluxo mundial da commodity passa diariamente pela região, incluindo cargas de grandes produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã, que controla a margem norte da passagem.
Escalada militar
Os Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra o Irã no sábado (28), atingindo mais de 130 cidades, conforme autoridades locais. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano informou que ao menos 550 pessoas morreram nos ataques. Entre as vítimas estaria Khamenei, cuja morte foi confirmada por autoridades iranianas.
O conflito rapidamente ultrapassou as fronteiras iranianas. No domingo (2), o Hezbollah reivindicou um ataque contra uma base militar em Haifa, no norte de Israel, afirmando agir em apoio a Teerã. Em território israelense, nove pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra uma escola feminina no sul do país — que teria deixado 168 mortos — e contra um hospital em Teerã. Ele classificou as ofensivas como violações graves do direito humanitário e afirmou que o Irã “não se calará nem se renderá”.
Trump prevê guerra prolongada
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a operação militar e declarou que o conflito pode se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. Segundo ele, a ofensiva busca neutralizar o programa nuclear iraniano, destruir capacidades de mísseis e enfraquecer a Marinha do país.
Trump também afirmou que os EUA já afundaram ao menos dez embarcações iranianas e eliminaram lideranças militares em ataques rápidos. Quatro militares norte-americanos tiveram as mortes confirmadas, enquanto outros 18 estão em estado grave após ações retaliatórias.
