INSS promove servidora que deu aval a descontos ilegais de aposentados
Brasília, Segunda, 15 de junho de 2026
Política

INSS promove servidora que deu aval a descontos ilegais de aposentados

Michelli Manieri assumirá coordenação nacional do atendimento após ter atuado em processos que autorizaram entidades investigadas

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, nomeou Michelli Manieri para o cargo de coordenadora-geral de atendimento da autarquia. A decisão foi tomada nos primeiros meses da nova gestão e ocorre após a servidora ter perdido uma função de confiança durante as investigações sobre descontos associativos em benefícios previdenciários.

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Com a promoção, Michelli passa a responder pela gestão das agências do INSS em todo o país, além da coordenação de mutirões, distribuição de recursos e administração do orçamento operacional da área de atendimento.

A servidora coordenou o grupo de trabalho responsável pela fiscalização dos acordos que permitiam descontos de mensalidades associativas em aposentadorias e pensões. Na função, assinou pareceres favoráveis à celebração de convênios com a Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e com a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB).

As manifestações favoráveis foram elaboradas em conjunto com o então servidor Geovani Batista Spiecker, apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis por viabilizar a retomada dos descontos posteriormente classificados como irregulares.

O nome de Michelli também aparece em relatório paralelo da CPMI do INSS. O documento atribui à servidora a assinatura de estudos e notas técnicas que concluíram pela viabilidade operacional das entidades, apesar de apontamentos feitos por auditorias internas.

Segundo relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, a Ambec chegou a registrar média de 846 novas filiações de beneficiários por hora. Já a AAPB teria apresentado mais de 46 mil associados sem termos de adesão assinados. Mesmo assim, os acordos receberam parecer favorável de técnicos do INSS, entre eles Michelli Manieri.

Após o escândalo vir a público em 2023, a servidora perdeu o cargo de confiança que ocupava. Agora, retorna a uma função de maior abrangência dentro da estrutura do instituto.

Em nota, o INSS informou que todos os servidores de carreira nomeados para cargos de direção passaram por verificações internas, além de análises conduzidas pela CGU e pelo governo federal. Segundo a autarquia, não existem penalidades vigentes nem procedimentos acusatórios em andamento contra Michelli Manieri.

“Não há, portanto, qualquer impedimento ou irregularidade para a nomeação”, afirmou o instituto.

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