Boletim Focus mostra leve melhora nas projeções econômicas, enquanto persistem dúvidas sobre equilíbrio fiscal
O mercado financeiro voltou a reduzir as estimativas de inflação para os próximos dois anos, mas ainda demonstra preocupação com a condução da política fiscal do governo.
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda (20), pelo Banco Central, mostra expectativa de inflação mais controlada, porém acompanhada de baixo crescimento econômico e aumento nas despesas públicas.
A projeção para o IPCA de 2025 caiu de 3,87% para 3,84%. Para 2026, o índice passou de 3,60% para 3,58%. Apesar da leve melhora, o mercado destaca que as previsões só se manterão estáveis se o governo conseguir conter gastos e garantir credibilidade nas metas fiscais.
A meta oficial de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Crescimento econômico segue fraco
A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 permanece em 2,1%, enquanto para 2026 está em 2%. O número é considerado modesto diante do volume de gastos públicos e da falta de reformas estruturais.
As projeções para a taxa Selic foram mantidas em 10,25% no fim de 2025 e 9% para 2026.
Despesas e dívida em foco
Mesmo com sinais de inflação sob controle, o mercado vê risco de deterioração fiscal. A execução de programas bilionários, como o novo crédito para moradias populares e o reajuste de benefícios sociais, deve aumentar a pressão sobre o orçamento e comprometer as metas estabelecidas pela equipe econômica.
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne as projeções de mais de cem instituições financeiras.
As estimativas para a taxa Selic foram mantidas em 10,25% no final de 2025 e 9% em 2026. O dólar deve encerrar o período próximo de R$ 5,15 e R$ 5,20, respectivamente.
