A atividade industrial no Brasil praticamente estagnou em abril, atingindo o nível mais fraco em quase um ano e meio, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global, divulgado nesta sexta-feira, 2. O indicador recuou de 51,8 em março para 50,3, se aproximando da marca de 50 que separa o crescimento de retração e acendendo o alerta para um possível início de contração no setor.
“O registro do PMI principal ficou marginalmente dentro da zona de crescimento, sinalizando condições industriais amplamente estagnadas e encobrindo circunstâncias um tanto preocupantes que sugerem que o setor poderia estar entrando gradualmente em uma fase de contração”, avaliou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, para a CNN.
O cenário piora pela confiança em relação à produção futura, que caiu ao menor nível em cinco anos. O motivo principal seria a crescente apreensão com a política tarifária dos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar, em 2 de abril, um pacote de tarifas que chamou de “Dia da Libertação”.
Abril também registrou a primeira queda em novos pedidos à indústria em 16 meses, ainda que de forma leve. A demanda diminuiu tanto no mercado interno quanto no externo, com empresários citando a alta nos preços dos produtos finais e o clima de incerteza como as principais causas.
As exportações também sentiram o baque: as vendas externas diminuíram pela quinta vez nos últimos seis meses, com perdas especialmente no Mercosul e nos Estados Unidos.
Apesar disso, a produção industrial brasileira cresceu pelo terceiro mês seguido, mas no ritmo mais fraco desse período. O avanço foi limitado por cancelamentos de pedidos, redução nas vendas e escassez de mão de obra qualificada.
Os preços cobrados pela indústria também cederam, atingindo o menor patamar desde março, com empresas optando por descontos para tentar impulsionar as vendas.
