Imprensa internacional aponta risco jurídico em desfile pró-Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Imprensa internacional aponta risco jurídico em desfile pró-Lula

Veículos destacam críticas da oposição e possível propaganda antecipada na homenagem da Acadêmicos de Niterói

ALive: Desfile pró-Lula expõe “guerra cultural” contra valores cristãos
Foto: Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A imprensa internacional repercutiu o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o Lula no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí. Veículos estrangeiros destacaram as críticas da oposição e o risco jurídico de eventual propaganda eleitoral antecipada. A escola foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.

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A BBC, do Reino Unido, informou que parlamentares contrários ao presidente apontam uma “possível violação das regras de campanha”. A emissora também relatou que a escola apresentou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste até a Presidência da República.

A alemã DW mencionou acusações de uso “indevido” do carnaval para campanha política. A reportagem citou ainda o cancelamento da participação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e destacou a possibilidade de ações judiciais após o desfile.

A francesa France 24 afirmou que a apresentação “gerou críticas por homenagear um presidente em exercício em ano eleitoral”.

A agência Associated Press (AP) classificou o desfile como “uma verdadeira homenagem para o presidente”, ressaltando que seus índices de aprovação estão divididos há meses. A agência também mencionou questionamentos jurídicos levantados por especialistas.

A CNN em espanhol destacou tanto as críticas da oposição quanto a defesa do PT, que classificou o desfile como uma “iniciativa exclusiva da escola”.

O jornal espanhol La Vanguardia descreveu o desfile como “polêmico” e afirmou que houve “controvérsia mesmo antes do carnaval”.

No Brasil, o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente. A alegação é de uso de dinheiro público para campanha antecipada.

Na semana anterior ao desfile, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, pedidos para impedir a apresentação. Os ministros entenderam que a proibição configuraria censura prévia, mas deixaram aberta a possibilidade de punição posterior caso sejam constatadas irregularidades.

Especialistas divergem sobre a caracterização de ilícito eleitoral.

O advogado Eduardo Damian Duarte afirmou que o samba-enredo não mencionou eleições futuras nem pediu votos. Segundo ele, “Exaltar qualidades de uma figura pública não qualifica propaganda eleitoral antecipada”.

Já o advogado Guilherme Barcelos sustenta que a propaganda antecipada “está configurada”. Para ele, houve referências a feitos do governo, ao número do partido e símbolos associados à campanha.

— O desfile veio como reforço, com uma ala inteira caracterizada com o símbolo máximo do partido do presidente, com símbolos típicos de campanha eleitoral — afirmou.

Barcelos também mencionou a hipótese de abuso de poder, cuja consequência pode ser a inelegibilidade, mas ponderou que esse enquadramento depende da gravidade do caso.

O advogado Hélio Silveira classificou o desfile como “mera manifestação cultural” e destacou a distância temporal até as eleições de outubro.

— Está muito distante do que chamamos microprocesso eleitoral propriamente dito — afirmou.

O professor da FGV São Paulo Fernando Neisser disse que não houve ilegalidade eleitoral. Segundo ele, seriam necessários “pedidos explícitos de voto” ou menções diretas às eleições de 2026.

A advogada Francieli Campos, integrante da Comissão de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB, avaliou que pode haver enquadramento como propaganda antecipada e abuso de poder. Para ela, o uso do símbolo e número do partido pode ser interpretado como pedido de voto, além da possibilidade de caracterização de showmício.

O caso segue sob análise da Justiça Eleitoral.

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