O estoque de imóveis retomados pelos bancos no Brasil cresceu 150% entre 2022 e 2024, alcançando R$ 79 bilhões, o que representa cerca de um terço de todos os empreendimentos imobiliários lançados no país em 2024.
Esse é o maior volume registrado nos últimos 4 anos, refletindo, entre outros fatores, o aumento da inadimplência e os custos gerados pela expansão de financiamentos e vendas nos últimos tempos.
Embora esse crescimento não represente uma crise no setor, especialistas consultados pelo jornal O Estadão apontam que se trata de um efeito “natural” da dinâmica econômica, especialmente em um cenário de juros elevados.
Segundo dados do Banco Central (BC), até novembro de 2024, o estoque de imóveis retomados pelos bancos no Brasil era 20% superior ao do final de 2022, com um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2023. Em paralelo, os leilões de imóveis também refletiram esse aumento, com uma alta de 86% entre 2023 e 2024.
Os valores médios dos arremates estão em torno de R$ 361 mil, com descontos que podem chegar a 70% do preço de mercado.
A Caixa Econômica Federal, que responde por dois terços dos financiamentos imobiliários no país, teve um aumento expressivo em seu estoque de imóveis retomados, de acordo com dados encaminhados pelo banco ao jornal. Entre 2022 e 2024, o número de unidades retomadas pela instituição cresceu de 20,2 mil para 50,4 mil, o que representa uma alta de 150%.
Esse crescimento intensificou-se nos últimos anos, com a instituição enfrentando custos elevados, incluindo R$ 443 milhões com IPTU, condomínio e outros encargos em 2023.
