O jornalista Claudio Dantas, o deputado federal Marcelo Van Hattem (NOVO-RS) e o cientista Eli Vieira participaram, em Londres, de um painel exclusivo com os americanos Michael Shellenberger e Mike Benz no Fórum de Westminster sobre Liberdade de Expressão. O evento discute os avanços da censura no Ocidente e o uso político da regulação digital.
Michael Shellenberger é ex-presidente do Breakthrough Institute e coautor dos Twitter Files Brasil. Ele ganhou projeção internacional por defender fontes alternativas de energia e denunciar o que chama de “Complexo Industrial da Censura”. Ele argumenta que o discurso ambientalista radical e a repressão ao debate público caminham juntos em uma agenda de poder. Já Mike Benz, ex-integrante do governo Trump, fundou a Fundação pela Liberdade Online e atua contra a atuação de governos e big techs na restrição de conteúdos políticos.
Brasil voltou ao centro dos debates internacionais sobre censura
A edição de 2025 do fórum sucede o encontro inaugural realizado em junho de 2024, que reuniu mais de 50 intelectuais, jornalistas, advogados, parlamentares e ativistas de oito países. Na ocasião, o Brasil foi apresentado como o exemplo mais extremo de censura judicial no mundo democrático, gerando espanto entre os participantes estrangeiros.
Casos como o da dona de casa Débora Rodrigues dos Santos — presa há 15 meses por pichar com batom a estátua da Justiça — e do pastor Cleriston Pereira da Cunha — morto sob custódia mesmo com apelos do MPF — foram expostos e provocaram forte reação da plateia internacional. Em diversas falas, o Supremo Tribunal Federal foi citado como protagonista de uma ofensiva contra o discurso político legal.
Durante o evento de 2024, os participantes também destacaram o papel da Corte brasileira no Inquérito das Fake News, iniciado em 2019 por Dias Toffoli e centralizado por Alexandre de Moraes. Um relatório preliminar apresentado no fórum sugeria que organismos de inteligência estrangeira influenciam diretrizes de censura digital adotadas por Moraes e por instituições brasileiras.
EUA e OTAN apontados como eixos de influência da censura
Mike Benz, que atuou em política cibernética durante o governo Trump, criticou a atuação da USAID, do Departamento de Estado e de organizações multilaterais no cerceamento da liberdade online. Segundo ele, há uma mudança de postura no Ocidente desde a guerra da Crimeia em 2014, quando a OTAN passou a integrar o controle de informação à doutrina de “guerra híbrida”.
O ex-funcionário da Meta que também palestrou no evento relatou como a moderação de conteúdo nas redes sociais evoluiu para censura dirigida ideologicamente, com predomínio de grupos acadêmicos e ONGs alinhadas à esquerda na definição das regras de discurso.
Fórum expõe redes de influência e cobra reação política internacional
As discussões no Fórum de Westminster são norteadas por denúncias de como termos como “discurso de ódio” e “desinformação” e têm sido usados como justificativa para censurar opiniões políticas, principalmente conservadoras. O evento marca a continuidade da Declaração de Westminster de 2024, assinada por nomes como Jordan Peterson, Glenn Greenwald, Edward Snowden e Ana Paula Henkel, que alertava para a criminalização do discurso político no Brasil.
Um novo relatório sobre a rede de influência internacional que atua junto ao Judiciário brasileiro está previsto para ser publicado no próximo mês. Segundo os organizadores, o documento deve detalhar como autoridades estrangeiras e empresas privadas têm operado junto ao TSE e ao STF para impor uma agenda de controle da informação no país.
O Fórum é promovido por Shellenberger e pela entidade Civilization Works, e pretende se consolidar como espaço de articulação internacional pela defesa da liberdade de expressão.
