Hoje: Alcolumbre quer ignorar CPMI do Master
Brasília, Segunda, 06 de julho de 2026
Política

Hoje: Alcolumbre quer ignorar CPMI do Master

Oposição cobra leitura do requerimento da CPMI e promete reação caso Alcolumbre não dê andamento ao pedido

Davi Alcolumbre
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A oposição intensificou hoje (21) a pressão sobre o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para que seja feita a leitura do requerimento de instalação da CPMI do Banco Master durante sessão conjunta do Congresso Nacional.

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O senador Eduardo Girão afirmou nas redes sociais que Alcolumbre estaria tentando impedir o avanço da comissão parlamentar de inquérito.

“ALCOLUMBRE QUER IGNORAR CPMI NA SESSÃO DO CONGRESSO. NÃO DEIXAREMOS”, escreveu Girão no X.

O parlamentar afirmou que o presidente do Congresso teria obrigação regimental de fazer a leitura do requerimento durante a sessão desta quinta-feira.

“Regimentalmente, Davi Alcolumbre tem o dever de ler o requerimento de instalação da CPMI do Banco Master”, declarou.

Segundo Girão, a oposição pretende reagir caso o pedido seja novamente ignorado.

“Se ele não abrir é reincidente pois na última sessão já deixou de fazê-lo e tomaremos medidas”, afirmou.

O senador também disse ter cobrado publicamente a instalação da CPI diretamente no plenário do Senado.

“Ontem, de forma pública, no Plenário do Senado Federal, cobrei mais uma vez a instalação da CPI ou da CPMI do Banco Master no Congresso Nacional olhando nos olhos do presidente da Casa Davi Alcolumbre”, declarou.

Girão afirmou reconhecer o trabalho da Polícia Federal e das investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça, mas defendeu atuação do Congresso no caso.

“O brasileiro de bem merece transparência total sobre o escândalo que envolve denúncias gravíssimas e suspeitas de blindagem política sobre autoridades dos 3 Poderes da República”, escreveu.

A pressão sobre Alcolumbre ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro e possíveis conexões políticas do caso.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que o presidente do Congresso deve evitar novamente a leitura dos requerimentos, apesar de os pedidos já terem alcançado o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento.

A oposição tenta usar a CPMI para ampliar o desgaste institucional do caso e afastar suspeitas de blindagem política.

O senador Cleitinho também pressionou pela instalação imediata da comissão e afirmou que a investigação deve alcançar todos os envolvidos, incluindo aliados políticos. Cleitinho afirmou que o senador Flávio Bolsonaro assinou o pedido de CPI e defendeu que ele também seja ouvido pela comissão.

“Que a gente possa instaurar essa CPI o mais rápido, pra gente convocar até o Flávio para ele esclarecer esse filme, convocar o Dias Toffoli, o ministro Alexandre de Moraes (…), pra gente separar o joio do trigo”, afirmou.

Os bastidores da CPMI

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que Alcolumbre deve evitar novamente a leitura do requerimento durante a sessão convocada para análise de vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.

Embora existam ao menos dois pedidos de CPMI relacionados ao Banco Master com o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento — 27 senadores e 171 deputados —, a instalação depende da leitura formal do requerimento pelo presidente do Congresso.

O caso ampliou a tensão entre governo, oposição e centrão. Integrantes dos três grupos admitem reservadamente que a comissão pode atingir diferentes setores políticos, autoridades públicas, fundos de previdência e integrantes do sistema financeiro.

A oposição aposta que a CPMI possa reduzir o desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro. Lideranças oposicionistas ouvidas pela equipe deste site afirmam que a investigação deve alcançar o governo Lula e, principalmente, setores do PT na Bahia.

Já integrantes da base governista, que apesar de usarem o termo “Bolsomaster”, demonstram receio de que a investigação avance sobre aliados e órgãos federais.

Além da pressão política no Congresso, o caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça analisará mandados de segurança apresentados pelos deputados Kim Kataguiri e Lindbergh Farias para obrigar a instalação da CPMI.

A crise também aumentou questionamentos sobre a atuação de Alcolumbre no caso. O senador é apontado como aliado político de Jocildo Silva Lemos, ex-presidente da Amprev, alvo de investigação sobre aportes suspeitos de R$ 400 milhões no Banco Master.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que uma eventual instalação da CPMI poderia abrir uma frente de investigação de grandes proporções, atingindo operações financeiras, fundos públicos, autoridades e conexões políticas em diferentes partidos.

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