O grupo de trabalho do Senado Federal criado para acompanhar o caso do Banco Master iniciou os trabalhos nesta quarta-feira (4) com a discussão do plano de atuação. O colegiado é coordenado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e funciona no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Segundo Renan, o grupo pretende realizar visitas institucionais ao Banco Central do Brasil, à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira reunião prevista é com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda hoje (04) às 16h30.
Antes do início dos trabalhos, Renan informou que também se reuniu com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho.
“Estou tentando marcar uma visita da comissão ao presidente do Supremo Tribunal Federal [ministro Edson Fachin] na próxima semana e uma visita também ao diretor da Polícia Federal”, afirmou.
A intenção, segundo o coordenador, é realizar as visitas técnicas e, posteriormente, receber Galípolo e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para audiências formais na comissão.
Criado no âmbito da CAE, o grupo deve requisitar informações sobre investigações em curso e propor mecanismos de fiscalização do sistema financeiro. Renan afirmou que a atuação do colegiado não concorre com eventuais comissões parlamentares de inquérito.
“Não haverá competição com nenhuma comissão parlamentar de inquérito. Eu assinei os requerimentos que apareceram. Eu defendo a instalação de comissão parlamentar de inquérito e o nosso trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos será apenas um trabalho complementar. Nós não pretendemos competir absolutamente com ninguém”, declarou.
Parlamentares da oposição pressionam pela instalação de uma CPI ou CPMI sobre o caso Master. Um pedido de CPMI foi protocolado na terça-feira (3). Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que o requerimento seguirá a ordem cronológica, que inclui outros 15 pedidos pendentes.
Em outra frente, a CPMI do INSS prevê ouvir o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O depoimento foi remarcado, a pedido do investigado, para o dia 26 de fevereiro.
“As digitais de Daniel Vorcaro, entre outros, estão em todos os poderes, em vários escalões, em várias gestões. Por isso, é desaconselhável tentar politizar a investigação. A vigarice não distingue ideologia. A delinquência não tem preferência político-partidária”, afirmou Renan.
Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após investigações da Polícia Federal envolvendo emissões de títulos e suspeitas de gestão fraudulenta, com prejuízo estimado em mais de R$ 12 bilhões. Na semana passada, o ministro Dias Toffoli, do STF, retirou o sigilo dos depoimentos prestados por Vorcaro, nos quais ele reconheceu crise de liquidez da instituição e negou ter recebido facilitação política para operações junto ao Banco Regional de Brasília.
