Governo pede que estados zerem ICMS do diesel
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Governo pede que estados zerem ICMS do diesel

União propõe bancar metade da renúncia fiscal, enquanto governadores resistem à medida

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Por Redação

Em meio à escalada dos preços dos combustíveis, o governo federal intensificou a pressão sobre os estados para reduzir tributos. Nesta quarta-feira (18), o Ministério da Fazenda apresentou, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), uma proposta para zerar temporariamente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre a importação de diesel até o fim de maio.

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A iniciativa foi levada pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, e prevê que a União compense metade da perda de arrecadação dos estados. O impacto estimado gira em torno de R$ 3 bilhões por mês. Apesar do apelo, não houve consenso entre os secretários estaduais, e uma nova rodada de negociação foi agendada para o dia 27, em São Paulo.

A medida surge após o próprio presidente Lula (PT) ter defendido publicamente a redução do ICMS como forma de conter a alta nos preços. Na semana passada, o governo já havia anunciado a desoneração de tributos federais (PIS e Cofins) além de subsídios ao setor, com a promessa de reduzir o valor do diesel nas refinarias.

Ainda assim, a reação dos estados foi negativa. Em manifestação recente, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) questionou a efetividade da proposta, argumentando que cortes no ICMS não garantem repasse ao consumidor final e podem gerar perdas fiscais sem retorno social concreto.

Além da discussão tributária, o encontro do Confaz também tratou de medidas para reforçar a fiscalização no setor. Ficou definido que os estados vão compartilhar listas de devedores contumazes de ICMS, especialmente no mercado de combustíveis, com apoio da Receita Federal.

Outro avanço foi a criação de um convênio que permitirá à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e aos Procons acesso em tempo real a notas fiscais, com o objetivo de coibir irregularidades na cadeia de distribuição.

O debate ocorre em um cenário de pressão internacional sobre os preços.

A cotação do petróleo disparou nas últimas semanas, impulsionada por tensões no Oriente Médio, elevando o barril do tipo Brent para acima de US$ 100. No Brasil, o movimento já se reflete nas bombas: distribuidoras repassaram aumentos que chegaram a R$ 0,80 por litro, seguidos por um reajuste adicional da Petrobras.

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