O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou de ao menos nove decisões anunciadas em 2025. Os recuos começaram logo após a posse de Sidônio Palmeira no comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em 15 de janeiro, segundo apuração feita pelo Poder360. A nova orientação de Lula e da Secom era ampliar a exposição do governo e seus ministros. O resultado foi uma sequência de anúncios precipitados e medidas canceladas, muitas após desgaste público.
O principal recuo do ano foi o chamado “Pixgate”. Em 9 de janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisou gravar um vídeo para desmentir que haveria uma taxação sobre operações via Pix. Dias antes, o governo havia publicado uma norma que ampliava a fiscalização sobre quem movimentasse mais de R$ 5 mil por mês em pagamentos digitais. O recuo veio após forte reação de comerciantes e usuários, que temiam mais custos e vigilância excessiva. “Daqui para frente, nenhum ministro vai poder fazer portaria que depois crie contusão para nós, sem que essa portaria passe pela Presidência da República, pela Casa Civil”, determinou Lula. Na prática, a ordem pouco mudou a condução errática do governo.
Além do Pix, o Planalto recuou em temas sensíveis para o bolso da população, como o preço dos alimentos. Em 22 de janeiro, Rui Costa afirmou que o governo preparava um pacote de intervenção no setor. Horas depois, Lula mandou desmentir. Em outro episódio, o governo publicou uma regra obrigando a impressão de data de validade nos ovos. A medida foi revogada dez dias depois, sob alegação de que geraria aumento de custos ao consumidor. Não adiantou. Em março, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a isenção de tarifas de importação para nove alimentos, contrariando o próprio Haddad, que em janeiro garantira que não haveria “custo fiscal” para conter a alta nos preços.
O governo também colecionou contradições envolvendo suas estatais. Em julho de 2024, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, registrou o polêmico projeto “IBGE+” em cartório. Depois de protestos internos e reação pública, o governo suspendeu a proposta no final de janeiro deste ano. Já em relação ao biodiesel, Lula sancionou a lei do “Combustível do Futuro”, prevendo o aumento do percentual de mistura de biodiesel no diesel em 2025. Quando a data chegou, o governo congelou o aumento, alegando risco de inflação nos alimentos.
Outro episódio envolveu o saque-aniversário do FGTS. Em setembro de 2024, Luiz Marinho (Trabalho) anunciou o fim da modalidade. Em fevereiro de 2025, o governo desistiu oficialmente da proposta, por falta de apoio no Congresso.
As frequentes idas e vindas do Planalto são atribuídas ao desgaste da imagem de Lula e ao temor de aprofundar a crise de popularidade. Levantamento do próprio governo mostrou que, em apenas dois meses, o presidente acumulou mais de 20 declarações controversas.
Sidônio Palmeira, o responsável pela nova comunicação do Planalto, foi escalado para estancar a queda de Lula nas pesquisas. Mas, até o momento, os resultados são inversos. O governo petista expõe desorganização e hesitação diante de temas centrais para a economia e para o dia a dia da população.
