Governo Lula lança plano em resposta ao tarifaço dos EUA - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo Lula lança plano em resposta ao tarifaço dos EUA

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Por Adrian Almeida

Presidente afirma que não há motivo para taxação imposta por Washington

O governo Lula anunciou agora há pouco um pacote de medidas para tentar conter os impactos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras. A prioridade, segundo ele, é atender setores mais dependentes das vendas para os EUA. Lula disse que a crise deve ser encarada como oportunidade.

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“O time do governo está passando a bola para o time da Câmara e o time do Senado. A bola está passando. É importante a gente dizer que a gente não pode ficar apavorado e nervoso quando tem uma crise. A crise, ela existe para a gente criar novas coisas”, afirmou.

A ação será formalizada por meio de uma Medida Provisória enviada ao Congresso ainda hoje, prevendo linha de crédito de R$ 30 bilhões, compras governamentais, estímulo à abertura de novos mercados e incentivo à expansão do consumo interno.

O presidente rebateu os argumentos de Washington para impor as tarifas. Para isso, ele disse que desde 2010, os Estados Unidos têm tido superávit de mais de 400 bilhões de dólares.

“Na questão comercial, é inadmissível alguém dizer que tem déficit com o Brasil, quando nos últimos 15 anos o superávit deles foi de 410 bilhões de dólares. E ninguém está desrespeitando regra de direitos humanos como estão tentando apresentar ao mundo”, declarou.

Segundo Lula, o Brasil não tinha qualquer razão para ser taxado. Ele também defendeu o sistema judicial brasileiro.

“O julgamento está sendo feito de forma democrática, com provas e presunção de inocência. Isso é democracia elevada à sua quinta potência. Coisa que eu não tive quando fui julgado”, disse.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também discursou no evento e acusou os Estados Unidos de retaliar o Brasil de forma injusta. Ele apontou uma série de situações que, no ponto de vista dele, o país não se encaixa para sofrer sanção do tarifaço de um país que chamou de agressor.

“Dizer que nós estamos numa situação muito inusitada, presidente, porque o Brasil é um país que está sendo sancionado por ser mais democrático do que o seu agressor. É uma situação inédita e muito incomum no mundo, um país que não persegue adversários, não persegue imprensa, não persegue escritórios de advocacia, não persegue universidades, não persegue imigrantes legais ou ilegais, está sujeito a uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico, como é o caso do Brasil”, disse.

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