Pressionado pelo PL, Hugo Motta sinaliza cautela
Apesar da pressão do PL e da base bolsonarista, ministros e auxiliares do governo Lula avaliam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não levará à votação o projeto de anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro antes do recesso parlamentar.
Para o Planalto, o momento político não é propício. Pautar a proposta agora significaria, na prática, uma provocação direta ao STF, o que poderia acirrar ainda mais a tensão entre os Poderes. O governo e o Congresso Nacional já travam uma queda de braço em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja derrubada pelo Legislativo motivou a Advocacia-Geral da União a recorrer ao STF.
O caso está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, o mesmo que tem sido protagonista no julgamento dos envolvidos no 8 de Janeiro. Para assessores do governo, unir essas duas frentes, anistia e IOF, seria um erro estratégico, sobretudo se o Congresso der sinais de hostilidade ao Judiciário.
Apesar das especulações, Motta tem dado sinais de cautela e, segundo fontes do governo, não pretende criar embates desnecessários. O presidente da Câmara vem mantendo interlocução com o Planalto.
Na segunda-feira (30), no entanto, o líder da legenda na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que Motta teria se comprometido a colocar o projeto em votação ainda antes do recesso, previsto para 17 de julho. A declaração aumentou a pressão da direita sobre a condução da pauta.
