TCE-RJ alertou para risco de perda em aportes feitos mesmo após sinais de instabilidade do Master
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontou, em outubro, que o Rioprevidência investiu cerca de R$ 1 bilhão em aplicações do Banco Master, responsável por parte dos recursos que pagam aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais. O alerta foi feito porque os aportes continuaram mesmo após sinais de que a instituição enfrentava uma crise, segundo a coluna da Mônica Bergamo.
O Banco Central decretou nesta terça-feira (18) regime de administração especial temporária do Master por 120 dias e a liquidação do conglomerado. O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Segundo o deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ), autor da denúncia sobre as aplicações, “o dinheiro do Rioprevidência pode agora virar pó”, ao questionar o aporte em uma instituição que já apresentava indícios de colapso e oferecia rendimentos considerados insustentáveis.
Dados divulgados pelo TCE-RJ indicavam que o fundo já tinha cerca de R$ 960 milhões — o equivalente a 8% de seu patrimônio — alocados em letras financeiras do Master, títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Mesmo com as ressalvas, técnicos identificaram “concentração crítica” de recursos no banco.
A conselheira Mariana Montebello Willeman afirmou que o Rioprevidência assumiu risco excessivo diante de um ambiente que recomendava “máxima cautela”. Segundo ela, o noticiário já apontava que o Master oferecia taxas “impossíveis de serem praticadas no mercado” e apresentava sinais de fragilidade financeira.
Em nota publicada em 18 de outubro, o Rioprevidência confirmou investimentos de aproximadamente R$ 960 milhões em letras financeiras do banco, alegando que a operação seguia regular e adimplente. A autarquia afirmou que o Master era “instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central”, com rating A- da Fitch Ratings à época dos aportes, o que o colocaria em categoria de baixo risco segundo as normas de previdência.
Também declarou que não realizava novos aportes desde a primeira notificação do TCE em 2024 e que faz monitoramento diário dos fundos administrados por instituições ligadas ao Master, garantindo a ausência de ativos emitidos pelo banco nos portfólios atuais.
O episódio aumenta a pressão sobre o governo Cláudio Castro, já que envolve recursos previdenciários de servidores e decisões de gestão tomadas mesmo após alertas formais sobre a deterioração do Banco Master.