Governo quer que bancos concedam descontos em dívidas, diz Durigan
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

Governo quer que bancos concedam descontos em dívidas, diz Durigan

Ministro afirma que União pode oferecer garantias para estimular renegociações e reduzir o peso do endividamento das famílias

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal estuda um novo modelo de renegociação de dívidas que pode incluir descontos expressivos concedidos por bancos e fintechs, com respaldo da União para reduzir o risco das operações.

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Segundo o ministro, a ideia central é permitir a redução significativa do valor devido antes da etapa de refinanciamento.

“Ainda que haja um abatimento elevado, uma parte da dívida permanece e precisará ser refinanciada. Nesse ponto, o governo pode oferecer uma espécie de garantia para estimular as instituições a renegociarem em condições mais favoráveis”, explicou em entrevista.

Durigan ressaltou que o mecanismo não se trata de subsídio direto, mas de uma estratégia para dar segurança ao sistema financeiro e ampliar a concessão de crédito em condições mais acessíveis. O impacto fiscal da proposta, no entanto, ainda não foi detalhado.

A medida é tratada como prioridade pelo presidente Lula (PT), que tem defendido soluções para o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Em discurso recente, o petista classificou a situação como um entrave para a percepção de melhora econômica no país.

“O Brasil está com a economia andando, mas as famílias continuam pressionadas por dívidas. Isso acaba pesando no dia a dia das pessoas”, afirmou o presidente, ao comentar o tema durante agenda pública em Goiás.

Lula também indicou que pediu à equipe econômica uma proposta que facilite o pagamento das dívidas sem desestimular o consumo. Segundo ele, o objetivo não é impedir o crédito, mas torná-lo mais sustentável. “A questão é equilibrar o que se ganha com o que se gasta, para que a dívida não vire um problema maior”, disse.

Dados do Banco Central do Brasil mostram que o endividamento das famílias atingiu 49,7% em janeiro, próximo do recorde histórico registrado em 2022. Já a inadimplência, considerada quando há atraso superior a 90 dias, alcançou o maior nível desde 2012.

O novo programa em estudo deve substituir modelos anteriores, como o Desenrola Brasil, e tende a ser mais simples operacionalmente. Entre as mudanças previstas está a inclusão de ações de educação financeira como contrapartida, com o objetivo de evitar que consumidores voltem a se endividar após a renegociação.

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