Governo avalia recuar na “taxa das blusinhas” após desgaste político
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo avalia recuar na “taxa das blusinhas” após desgaste político

Com rejeição crescente, Planalto busca saída para aliviar custo ao consumidor

Lula
O estudo registrou ainda leve queda na percepção inflacionária. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Por Redação

O governo do presidente Lula (PT) estuda rever a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, diante do impacto negativo na popularidade da medida. A cobrança, em vigor desde 2024, incide principalmente sobre produtos adquiridos em plataformas estrangeiras e passou a ser alvo de críticas dentro e fora do Executivo.

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Levantamentos recentes indicam forte rejeição popular. Pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta que 62% dos brasileiros consideram a taxação um erro, enquanto apenas 30% avaliam a medida de forma positiva. A percepção de desgaste eleitoral tem sido um dos principais fatores para a reavaliação do tema no governo.

Atualmente, a regra estabelece uma alíquota de 20% para compras internacionais de até US$ 50. Para valores superiores, a tributação pode chegar a 60%, com desconto fixo de US$ 20. Apesar das críticas, a arrecadação cresceu significativamente: dados da Receita Federal mostram que o imposto rendeu cerca de R$ 5 bilhões em 2025, após já ter atingido R$ 2,88 bilhões no ano anterior — ambos recordes históricos.

Estudos indicam que a cobrança afetou de forma mais intensa consumidores de menor renda. Pesquisa da Plano CDE revela que o consumo de produtos importados entre as classes C, D e E caiu 35% entre junho de 2024 e abril de 2025. Entre as classes A e B, a redução foi de 11% no mesmo período.

Pressão do setor produtivo

Enquanto consumidores criticam o aumento de preços, entidades da indústria e do varejo defendem a manutenção da taxa. No início de abril, mais de 50 organizações divulgaram manifesto a favor da política, argumentando que a medida ajudou a estimular investimentos e geração de empregos no país.

Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), o primeiro ano de vigência da tributação coincidiu com crescimento de quase 6% nas vendas do setor e aumento de 3,9% no número de empregos no comércio.

Divisão interna no governo

Dentro do Planalto, não há consenso sobre a possível revogação. O presidente Lula já sinalizou incômodo com a medida e afirmou considerar desnecessária a cobrança, reconhecendo o impacto negativo para o governo. Ele também indicou que uma alternativa está em estudo, mas evitou antecipar detalhes.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, avalia que a perda de arrecadação seria administrável dentro do orçamento federal. Já o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também defende a revisão da política.

Por outro lado, o Ministério da Fazenda resiste à mudança. Técnicos da pasta argumentam que o imposto é importante para proteger a indústria nacional da concorrência internacional e preservar empregos.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, reforçou essa visão ao destacar que a taxação foi criada para corrigir distorções tributárias entre produtores brasileiros e vendedores estrangeiros, especialmente de países asiáticos.

A eventual revogação da taxa depende de aval do Congresso Nacional, já que a medida foi aprovada por parlamentares. Atualmente, ao menos dois projetos tramitam na Câmara dos Deputados propondo o fim da cobrança, sob o argumento de que ela encarece produtos sem benefícios proporcionais à economia.

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