O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes enviou a Alexandre de Moraes notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e pediu a inclusão do caso no inquérito das fake news. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Moraes encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou.
Segundo a reportagem, a medida foi motivada por um vídeo publicado por Zema nas redes sociais, no mês passado, com bonecos que simulam conversas entre ministros do STF.
Na gravação, um fantoche que representa Dias Toffoli pede ao de Gilmar a suspensão da quebra de sigilos determinada pela CPI do Crime Organizado. O boneco então anula a decisão e solicita “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”, em referência ao resort Tayayá.
O empreendimento era ligado a Toffoli e foi adquirido por fundo associado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso e em negociação de delação com a Polícia Federal (PF) e a PGR.
Na notícia-crime, Gilmar afirma que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”: “Valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’, o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.
O decano também destacou o alcance da publicação nas redes sociais de Zema, com milhões de seguidores e ampla repercussão.
Nos últimos meses, o ex-governador de MG intensificou críticas ao STF. Durante o lançamento do seu plano de governo, o candidato à Presidência afirmou na semana passada que ministros “não podem ser intocáveis” e declarou que Moraes e Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”.
Zema também disse que, se eleito presidente, pretende propor um “novo Supremo”. O plano de governo do candidato é baseado em três eixos, com foco principal no de “acabar com a farra dos intocáveis”.
