Galípolo confirma presença na CPI do Crime Organizado; Campos Neto deve faltar
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Galípolo confirma presença na CPI do Crime Organizado; Campos Neto deve faltar

Presidente do Banco Central vai depor como convidado sobre o caso Banco Master

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Por Redação

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que participará da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado nesta quarta-feira (8), em um momento decisivo para o colegiado, que se aproxima do prazo final de funcionamento e enfrenta dificuldades para manter o ritmo das investigações.

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O comparecimento foi informado pela assessoria de Galípolo.

Convidado, e não convocado, o chefe da autoridade monetária optou por atender ao chamado, diferentemente de outros depoentes que têm recorrido à Justiça para evitar as oitivas.

A audiência foi proposta pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e tem como eixo o caso envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Entre os pontos que devem ser esclarecidos está a participação de Galípolo em uma reunião realizada no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, que reuniu integrantes do governo e o empresário.

Na justificativa do requerimento, Girão afirma que a oitiva busca assegurar transparência institucional e esclarecer a finalidade do encontro, além de afastar dúvidas sobre possível influência externa em processos de supervisão do sistema financeiro.

Na mesma sessão, a CPI também prevê ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, convocado formalmente. Apesar da obrigatoriedade, a presença é considerada improvável nos bastidores.

O ex-dirigente já acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) em ocasiões anteriores para garantir o direito de não comparecer a comissões parlamentares.

Campos Neto é apontado como peça-chave para explicar decisões passadas da autarquia, como a autorização, em 2019, para que Vorcaro assumisse o controle do então Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. Também devem entrar na pauta questionamentos sobre possíveis falhas regulatórias e suspeitas de circulação de informações privilegiadas.

Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira defende (MDB-SE) que o depoimento pode contribuir para identificar brechas no sistema financeiro e apontar caminhos para o fortalecimento dos mecanismos de controle.

Comissão tenta reagir

A participação de Galípolo ocorre em meio a uma fase de desgaste da CPI, que tem prazo para encerrar os trabalhos no próximo dia 14 e ainda depende de articulação política para ser prorrogada. O tema está sendo tratado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas a resistência à extensão é significativa.

O cenário recente é de esvaziamento das sessões, agravado por decisões do STF que vêm flexibilizando convocações e garantindo a depoentes o direito de não comparecer ou de não responder perguntas. Nesta terça-feira (7), por exemplo, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não compareceu à comissão.

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