Galípolo quer BC "sem que ninguém pergunte o que está sendo descoberto"
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Galípolo quer BC “sem que ninguém pergunte o que está sendo descoberto”

Presidente do Banco Central afirma que falta de recursos limita fiscalização e detalhamento da supervisão

Galípolo cita caso Master e defende autonomia orçamentária do Banco Central para ampliar fiscalização do sistema financeiro

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Durante evento hoje da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Gabriel Galípolo defendeu a aprovação da PEC da autonomia financeira do Banco Central. Segundo ele, a mudança teria efeito na capacidade de supervisão do sistema financeiro.

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Galípolo alegou que o número de instituições sob supervisão do BC aumentou, enquanto houve redução de pessoal e de recursos. “Temos um aumento no número das instituições que estão sob supervisão do Banco Central e outras que não estão, em meio à redução significativa de pessoas e recursos”, afirmou.

Tenho falado de maneira reiterada sobre a necessidade de dar um salto, fazer um catching up no que estamos atrasados, de autonomia financeira e orçamentária”, emendou.

Em declaração que gerou questionamentos sobre transparência, Galípolo agradeceu ao presidente Lula e elogiou a postura do governo em relação à autonomia institucional.

O dirigente afirmou ter “certeza” de que pode trabalhar com tranquilidade graças ao respaldo do Planalto e destacou a possibilidade de atuação sem questionamentos externos. Segundo ele, a garantia permitiria atuar “sem que ninguém nos pergunte o que está sendo descoberto, o que não está sendo descoberto”.

O presidente do BC afirmou também que bancos centrais discutem o uso de inteligência artificial para ampliar a fiscalização. O objetivo é migrar da supervisão por amostragem para um modelo mais abrangente e detalhado, respeitando limites de sigilo.

Atuação no caso Master

Durante a exposição, Galípolo relatou a sequência de decisões do BC no caso Master e disse que não houve atraso ou omissão por parte da diretoria. O processo culminou em 18 de novembro de 2025, com a decretação da liquidação extrajudicial e a adoção do Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

Ele afirmou que captações de CDBs acima do CDI foram apontadas como problema, mas não configuravam irregularidade. “Não há nenhum tipo de regra que vede essas captações a uma taxa como aquela”, disse. Segundo Galípolo, isso não justificaria, por si só, a liquidação da instituição.

Galípolo afirmou que, no fim de 2024, o banco enfrentou problemas de credibilidade e restrições de liquidez. “Ainda em novembro, a diretoria de Fiscalização do BC chama o banco para um termo de comparecimento, dando um cartão amarelo, e dá seis meses para apresentar correções de liquidez, governança e patrimônio”, afirmou.

Em janeiro, segundo ele, surgiram dúvidas sobre negociações de carteiras em meio à crise de liquidez. Um grupo técnico foi criado para analisar o tema. Em março, o estudo inicial não encontrou evidências que confirmassem a existência das carteiras. “Isso justificaria a gente fazer uma notícia de fatos”, disse, ao relatar o encaminhamento ao Ministério Público.

Galípolo afirmou que, a partir de abril, houve coordenação com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo ele, o FGC passou a pagar CDBs que seriam cobertos em caso de liquidação. Para o presidente do BC, essa atuação foi decisiva para rejeitar a proposta de compra do Master pelo BRB e avançar para a liquidação da instituição.

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