Flávio Bolsonaro acusa Moraes violar prerrogativas advocacia
Brasília, Segunda, 13 de julho de 2026
Justiça

Flávio Bolsonaro acusa Moraes de violar prerrogativas da advocacia

Senador afirma que também atua como advogado de Jair Bolsonaro e anuncia medidas para contestar decisão que restringiu seu contato com o ex-presidente

Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução/ Youtube Flávio Bolsonaro

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende recorrer da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, o parlamentar sustentou que a medida viola não apenas seus direitos como filho, mas também suas prerrogativas profissionais como advogado.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Segundo Flávio, ele integra formalmente a defesa do ex-presidente e já iniciou conversas com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para contestar a decisão.

“A OAB vai entrar no circuito, porque uma prerrogativa inegociável dos advogados é ter acesso ao seu cliente. Não vão poder impedir que um advogado converse com o seu cliente, ainda que esse advogado seja o filho e o cliente seja o próprio pai”, afirmou.

O senador disse que está inscrito nos autos do processo envolvendo Jair Bolsonaro e classificou a restrição como uma afronta ao exercício da advocacia.

“Quer me deixar incomunicável com o próprio pai já é um absurdo. Agora, impedir que um advogado tenha contato com seu cliente é algo completamente ilegal”, declarou.

“Querem deixar meu pai incomunicável”

Ao comentar a decisão de Moraes, Flávio afirmou que o objetivo seria ampliar o isolamento do ex-presidente.

“Está muito claro que o Alexandre de Moraes quer deixar meu pai incomunicável, humilhá-lo ainda mais e criar qualquer justificativa para endurecer as medidas contra ele”, disse.

Segundo o parlamentar, a decisão ultrapassa a esfera jurídica e representa uma restrição aos direitos de ambos.

“Está cerceando o direito do filho de ter acesso ao pai e o direito do pai, que já está com a liberdade restrita. É uma decisão completamente equivocada, ilegal e inconstitucional”, afirmou.

Defesa cita Constituição e Lei de Execução Penal

A reação de Flávio foi reforçada por uma nota divulgada mais cedo pela defesa de sua pré-campanha. No comunicado, o advogado Tracy Reinaldet classificou a decisão de Moraes como “ilegal e inconstitucional”.

Segundo o advogado, a medida desrespeita dispositivos da Lei de Execução Penal que garantem ao preso o direito de receber visitas de familiares e de manter comunicação com o mundo exterior. Os advogados também sustentam que a restrição viola o Estatuto da Advocacia, já que Flávio atua na defesa de Jair Bolsonaro.

“A proibição de contato viola o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado”, diz o trecho.

Ainda de acordo com a nota, a Constituição de 1988 afastou a possibilidade de incomunicabilidade do preso, entendimento que, segundo a defesa, também foi consolidado pelo Supremo Tribunal Federal.

Medidas judiciais

Durante a transmissão, Flávio afirmou que a defesa buscará reverter a decisão pelas vias judiciais, embora tenha demonstrado ceticismo quanto ao resultado de um eventual recurso.

“Se a gente recorre, vai para a Primeira Turma. Todo mundo já sabe qual vai ser o resultado antes mesmo de qualquer análise. Isso não é normal”, declarou.

Contexto da decisão

Mais cedo, Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias após entender que o senador utilizou uma visita para obter e divulgar uma carta com conteúdo político nas redes sociais, o que, segundo o ministro, pode representar descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

Além da restrição de visitas, Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro esclareça, em até 48 horas, se ele tinha conhecimento da divulgação da carta e encaminhou o caso ao procurador-geral Eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.

ASSISTA AO VÍDEO COMPLETO:

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade