O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (8) que pretende indicar uma mulher para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo. Nos bastidores, o nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, aparece como o mais cotado para a função.
A declaração foi feita durante evento promovido pelo Grupo Voto, em São Paulo, onde Flávio foi questionado sobre quem poderia assumir a área econômica caso chegue ao Palácio do Planalto. O senador evitou antecipar nomes, mas reforçou o perfil desejado para o cargo.
“Eu gostaria que a senhora tivesse me perguntado quem vai ser a ministra da Economia”, disse.
Segundo ele, integrantes da equipe econômica do governo Jair Bolsonaro participam da construção das propostas da pré-campanha. Ainda assim, afirmou que não pretende divulgar nomes neste momento, sob o argumento de que a exposição antecipada pode gerar ataques políticos.
“E dar muita autonomia para o nosso ministro, a nossa ministra da economia, porque do jeito que as coisas estão hoje, sinceramente, se eu falo qualquer nome aqui agora, hoje já começa o processo de destruição dessa pessoa”, afirmou.
Nos bastidores, também são citados como possíveis nomes para compor a chapa a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), a vereadora Priscilla Costa (PL-CE) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Flávio também comentou a escolha do vice e afirmou que busca um perfil complementar ao seu projeto político.
“O prazo é até 14 de agosto […] o que eu posso falar é que é o perfil de alguém que complemente a nossa chapa, uma pessoa preparada e de preferência uma mulher, pronto!”, declarou.
Na semana passada, o senador afirmou que já tem “um nome no coração” para a vice-presidência, mas não revelou a escolha. A definição da chapa deve ocorrer dentro do prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
Facções criminosas e críticas ao governo
Flávio também voltou a defender a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo ele, o governo brasileiro deveria aproveitar a medida para fortalecer ações de combate à lavagem de dinheiro.
— A partir do momento que o governo americano classifica essas organizações como terroristas, ao invés de o governo brasileiro agradecer e fazer um grande pacto de combate a lavagem de dinheiro desses grupos, não, ele vai para a narrativa de que está defendendo a soberania — declarou.
O senador afirmou ainda que a medida pode ampliar mecanismos de fiscalização financeira e de rastreamento de recursos ligados ao crime organizado.
Declarações sobre Lula e Flávio Dino
Ao comentar o combate às facções, Flávio fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do STF Flávio Dino, que comandou o Ministério da Justiça no atual governo.
“Aí você olha para o presidente do Brasil e ele pensa o contrário, parece que ele é o chefe do PCC. O ministro da Justiça do Lula, chamado Flávio Dino (atual ministro do STF), entra numa favela no Rio chamada Complexo da Maré, violentíssima, o berço do Comando Vermelho, ele entra sem policial, sem escolta. E ali você entra debaixo de muito tiro, dentro de um carro blindado, que é como a polícia faz, ou você tem autorização do tráfico para entrar. O que vocês acham que aconteceu ali? Quando o próprio Lula vai fazer campanha dentro de uma outra favela no Rio, chamada Complexo do Alemão, outra área dominada pelo Comando Vermelho, ele está ali também, dispensou os policiais. Por que as cadeias ficaram em festa em 2022, quando o Lula foi declarado presidente da República?”, afirmou.
As declarações foram feitas em meio ao reposicionamento da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Nos últimos dias, o senador tem concentrado suas críticas principalmente no governo Lula, especialmente após o anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.