Flávio Bolsonaro: Perícia confirma fraude processual
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Flávio Bolsonaro: Perícia confirma fraude processual de Moraes

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Por Marília Rodrigues

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concedeu entrevista coletiva no Senado Federal logo após o encerramento do voto do ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

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Flávio chamou a sessão de julgamento, iniciada na manhã desta terça-feira, de “primeiro ato da farsa feita por Alexandre de Moraes” e disse ser uma tristeza ver como um ministro profere um voto político com raiva:

“Fala com raiva, com ódio. Parecia o líder do PT no Supremo, proferindo palavras sem embasamento jurídico (…) como quem está ali praticando uma vingança”, disse o senador, afirmando que o ministro acusa Bolsonaro de ter um plano para matá-lo, o chamado ‘Punhal Verde e Amarelo’. A ficção do plano Punhal Verde e Amarelo é da mesma proporção da ficção desse voto de Alexandre de Moraes”, completou.

Na sequência, Flávio relatou as provas de manipulação do processo judicial conseguidas nos últimos dias.

“De ontem para hoje a gente conseguiu algo que é muito raro de se ver. Com provas. Aqui sim, com provas de que houve manipulação de um processo judicial. Em especial por um ministro da mais alta corte do Judiciário deste Brasil. O ex-assessor dele denunciou uma série de coisas na Comissão de Segurança Pública na semana passada, e hoje chegou uma perícia confirmando o que ele havia denunciado, em especial a manipulação processual por ocasião de uma busca e apreensão determinada por Alexandre de Moraes contra um grupo de empresários, lá nas eleições de 2022.”

O assessor a que Flávio se refere é Eduardo Tagliaferro, que esteve no Congresso na semana passada fazendo as denúncias. Tagliaferro confirmou a manipulação de documentos a pedido de Moraes. O ex-assessor contou que foi procurado pelo juiz auxiliar do ministro para ajudar na fundamentação da decisão que determinava a busca e apreensão, após a expedição de mandado e o cumprimento da ordem pela polícia.

“A perícia que foi feita não foi sequer, ainda, sobre o que denunciou o Tagliaferro. O parecer técnico, que está aqui (…) confirma que a sentença de Alexandre de Moraes foi redigida seis dias após ela ter sido dada. Com data retroativa, portanto. A sentença foi produzida seis dias depois e lançada como se tivesse sido feita no dia em que ele tomou a decisão”, declarou Flávio.

“Foi feita com base em um documento do próprio STF, que é público. Foi extraído da página do STF. (…) A perícia comprova, pelos metadados do documento do Word, que é como foi feita essa sentença, que ela foi criada e modificada seis dias após a sentença. (…) É um escândalo isso daqui!”, completou.

Na sequência, Flávio leu um trecho da conclusão da perícia, que afirma que o documento foi “antedatado”. A data declarada, 19 de agosto 2022 — em que Moraes deu a ordem para a realização da busca e apreensão sobre o grupo de empresários — diverge da data técnica de criação do documento, registrada em 29 de agosto de 2022. A perícia também confirmou que o documento não foi assinado por Fábio Schor, delegado que conduziu a operação na época.

O senador informou que todos os ministros serão oficiados e que será pedida a suspensão do julgamento:

“Nós vamos oficiar todos os ministros do STF para que tomem ciência dessa grave denúncia de fraude processual feita por um membro do STF, solicitando que seja aberta uma investigação e que seja suspenso o julgamento que está em andamento, até que essa investigação seja concluída, pelo bem da democracia.”

O documento periciado foi encontrado no site do STF pelo jornalista David Ágape, que também contratou o serviço dos peritos.

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