Sob pressão crescente de setores da direita por definições sobre a disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil logo após o Carnaval para cumprir compromissos nos Estados Unidos que classificou como prioritários. A movimentação ocorre em meio a cobranças internas por maior clareza quanto à estratégia eleitoral do PL e ao papel que ele pretende desempenhar na corrida ao Planalto. As informações são da revista Veja.
Em território americano — onde vive seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) —, o senador deve participar de reuniões com integrantes da equipe do ex-presidente Donald Trump e com representantes da PragerU, organização conservadora voltada à produção de conteúdo político-educacional. Os nomes das autoridades com quem ele pretende se encontrar não foram tornados públicos.
A PragerU se apresenta como uma entidade dedicada à difusão de valores conservadores por meio de vídeos, cursos e materiais digitais, sustentada por doações privadas. Em sua própria descrição institucional, afirma promover princípios alinhados à tradição judaico-cristã e ao liberalismo econômico, com foco em formação ideológica e influência no debate público.
A agenda internacional de Flávio tem sido frequente. Antes da viagem aos Estados Unidos, ele passou por países do Oriente Médio e da Europa, em uma ofensiva de interlocução política fora do Brasil. O giro coincide com uma oscilação positiva em levantamentos de intenção de voto, o que alimentou, entre aliados, a leitura de que a exposição controlada — com menos declarações e aparições públicas — pode funcionar como ativo eleitoral.
Nos bastidores, há quem compare a estratégia à adotada por Jair Bolsonaro em 2018, quando o então candidato reduziu agendas e entrevistas em momentos decisivos da campanha. A aposta, segundo interlocutores, é evitar desgaste antecipado enquanto o cenário político segue indefinido.
Por outro lado, a ausência prolongada no país tem gerado desconforto dentro do PL. Lideranças estaduais relatam dificuldade para avançar em acordos regionais e cobram definições sobre alianças e candidaturas locais. Além da pré-campanha, Flávio atua como principal ponte política do pai, atualmente preso no Complexo da Papuda, em Brasília, o que amplia seu peso nas articulações internas.
Entre aliados, a expectativa é que a associação ao sobrenome Bolsonaro continue funcionando como elemento de tração eleitoral para candidatos alinhados ao grupo. Contudo, a distância física do senador em relação às bases e aos diretórios estaduais adiciona um componente de incerteza à estratégia, num momento em que o partido busca consolidar palanques e evitar fissuras internas.
