Flávio Bolsonaro é uma candidatura de protesto - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 11 de junho de 2026
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Flávio Bolsonaro é uma candidatura de protesto

Flávio Bolsonaro X
Mensagem de apoio de Flávio Bolsonaro ao pai, no X. Foto: Reprodução.

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Por Claudio Dantas

Foi gostoso ver a reação da Faria Lima ao nome de Flávio Bolsonaro. Mais gostoso ainda foi ver a raiva dos liberais arrancando os cabelos e reclamando de mais 4 anos de Lula, já decretando sua vitória antecipadamente. Aqueles com mais nojinho se anteciparam e declararam voto no petista — de novo.

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Essa gente realmente achava que Jair Bolsonaro se deixaria prender e calar sem fazer nada, que o manteriam refém enquanto se aproveitam de seu espólio político?

Tarcísio, o candidato dos sonhos dessa turma, é de fato um bom candidato. Mas quem o descobriu e o fez uma liderança nacional foi Jair Bolsonaro. Mas em vez de agradecê-lo, o sistema resolveu trancafiá-lo numa chincada jurídica inenarrável.

O capital político de Bolsonaro vem sendo usado por todos, de aliados de ocasião a rivais políticos e até inimigos, desde quando ainda estava na Presidência até agorinha. Mesmo a contragosto, essa turma entendeu sua utilidade e instrumentalizou a perseguição midiática e judicial para arrancar o que fosse possível, antes de trancafiá-lo.

Foi assim, por exemplo, no apoio a Ricardo Nunes em São Paulo. Uma candidatura articulada por Michel Temer com apoio de João Doria, Alexandre de Moraes e Valdemar Costa Neto! Mesmo indo contra o próprio eleitorado, Bolsonaro hipotecou seu apoio na expectativa de se livrar da cadeia.

Até Gilmar Mendes extraiu votos do ex-presidente para a candidatura do irmão à Prefeitura de Diamantino. Quem via Bolsonaro comendo pastel na feira e sorrindo ao lado de Chico Mendes, na campanha do ano passado, questionava a lógica em torno de gesto tão sem propósito.

Pode-se dizer que a situação chegou ao limite no apoio a Ciro Gomes no Ceará, pouco antes do início do julgamento no Supremo. O ex-presidente talvez ainda imaginasse que pegaria uma pena mais leve, mas acabou ganhando uma tornozeleira, foi censurado e depois mandado para a domiciliar antes do trânsito em julgado.

Provavelmente, na cabeça de Bolsonaro, era esse o preço a se pagar para encerrar a perseguição. Mas a condenação definitiva, a 27 anos de prisão, com todos os requintes de crueldade, endossados também por Gilmar, mudou tudo. Agora, definitivamente preso, isolado da família, censurado, humilhado como nenhum outro político na história do país, parece que a ficha caiu.

Sem anistia, sem prisão humanitária, restou ao ex-presidente uma cartada final: negar a todos seu mais importante gesto, o apoio a Tarcísio. Não por Tarcísio, mas por todos, da Faria Lima ao Centrão, passando pela cúpula do Judiciário e toda a mídia.

Em vez do candidato dos sonhos contra Lula, o filho Flávio, um fiel escudeiro com mandato de senador, capacidade de articulação com o Centrão e diálogo com o STF e a mídia. Uma candidatura de protesto, um número com uma mensagem: anistia ou morte (da democracia e do Brasil), com mais 4 anos de Lula.

Quem acha que Flávio recuará em sua candidatura, caso não suba nas pesquisas, vai dar com os burros n’água. Se não aprovarem a anistia, ele vai até o fim pelo pai. E se o povo entender o que significa sua candidatura, pode acabar endossando o protesto e elegendo o 01. Afinal, só a força das ruas – e das urnas – é capaz de derrubar uma ditadura.

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