Pesquisa mostra avanço do CV e outros grupos narcoterroristas em 344 municípios da Amazônia Legal
Narcoterroristas aumentaram a presença em cidades da Amazônia Legal em quase 50% nos últimos 2 anos, aponta levantamento divulgado nesta manhã (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com a pesquisa, das 772 cidades da região, 178 tinham influência de facções criminosas em 2023; em 2024, o número subiu para 260, e em 2025 já alcança 344 municípios.
O Comando Vermelho (CV) é a facção com maior expansão, atuando em 286 cidades — mais que o dobro do registrado em 2023. Já o PCC teve leve queda, de 93 para 90 municípios.

O CV está presente em todos os estados da Amazônia Legal e domina 202 cidades, avançando sobre territórios antes controlados por outros grupos. O Pará e Mato Grosso registraram crescimento expressivo da facção do Rio, com hegemonia em 71 municípios do Mato Grosso.
Atualmente, 17 facções estão ativas na região, sendo 14 nacionais e três estrangeiras, incluindo CV, PCC, B40, PCM e grupos colombianos como o EMC e Ex-Farc Acácio Medina. O grupo ADA (Amigos dos Amigos) atua de forma associada ao B40, mas não é contabilizado como facção autônoma.
Entre os estados, o Acre tem presença de facções em 100% dos 22 municípios, seguido por Roraima (80%). Mato Grosso lidera em número absoluto de cidades afetadas, com 92 dos 141 municípios (65,2%). Do total de 344 cidades, 258 têm apenas uma facção, enquanto 86 registram pelo menos duas organizações criminosas.

O levantamento do FBSP também aponta aumento nos registros de estupros na região. Em 2024, foram 13.312 casos de violência sexual na Amazônia Legal, uma taxa de 90,4 casos para cada 100 mil habitantes, 38% acima da média nacional.
O aumento foi de 4% em relação a 2023, enquanto o Brasil teve variação negativa de 0,3% no mesmo período. Entre as vítimas de estupro, 77% tinham 14 anos ou menos.
