Explosão de recuperações judiciais revela colapso financeiro no agronegócio
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Explosão de recuperações judiciais revela colapso financeiro no agronegócio

Pedidos de recuperação judicial no campo disparam 61,8% em 2024. Juros altos, dólar caro e falhas na política de crédito empurram produtores rurais ao endividamento e ameaçam o equilíbrio do agronegócio brasileiro.
Pedidos de recuperação judicial no campo disparam 61,8% em 2024. Juros altos, dólar caro e falhas na política de crédito empurram produtores rurais ao endividamento e ameaçam o equilíbrio do agronegócio brasileiro. Foto: @thiagorpzootec

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Por Redação

Com juros altos e crédito mal planejado, produtores rurais recorrem à Justiça para sobreviver, o governo ignora a crise no campo

O campo brasileiro enfrenta uma crise silenciosa. Em 2024, 2.273 produtores rurais recorreram à recuperação judicial para evitar a falência, um salto de 61,8% em relação ao ano anterior, segundo dados da Aprosoja Brasil e da Abramilho.

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O número reflete um setor sufocado por juros altos, insumos dolarizados e políticas públicas que ignoram a realidade financeira do agronegócio.

“A recuperação judicial é a última alternativa. O problema começa na concessão do crédito sem diagnóstico técnico sobre a produção e o fluxo de caixa”, afirmou o advogado Alisson Giuliano, que acompanha casos do setor.

O cenário é agravado pela política econômica dos últimos anos. O aumento agressivo da taxa Selic encareceu dívidas, e a alta do dólar impactou diretamente o custo dos insumos agrícolas, tornando o custo de produção insustentável.

“O produtor rural foi empurrado para o endividamento. O governo cobra caro pelo crédito e, ao mesmo tempo, não garante segurança jurídica nem infraestrutura para escoar a produção”, avaliou o advogado Ermiro Ferreira Neto, especialista em direito empresarial.
“O produtor rural foi empurrado para o endividamento. O governo cobra caro pelo crédito e, ao mesmo tempo, não garante segurança jurídica nem infraestrutura para escoar a produção”, avaliou o advogado Ermiro Ferreira Neto, especialista em direito empresarial. Foto: Reprodução

“O produtor rural foi empurrado para o endividamento. O governo cobra caro pelo crédito e, ao mesmo tempo, não garante segurança jurídica nem infraestrutura para escoar a produção”, avaliou o advogado Ermiro Ferreira Neto, especialista em direito empresarial.

Ferreira Neto ressalta que a recuperação judicial tem funcionado como “respiro temporário” para quem busca reestruturar as dívidas. Durante o chamado stay period, de 180 dias, ficam suspensas execuções e cobranças, permitindo ao produtor reorganizar o negócio e proteger seu patrimônio. “É uma forma de preservar a função econômica do campo, mas não resolve o problema estrutural”, disse.

Para o diretor-executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa, os dados reforçam a necessidade de planejamento e reformas. “Os produtores precisam se preparar para o novo ciclo, e o país precisa entender os desafios de quem produz alimentos sob risco constante e com custo crescente”, afirmou.

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